sábado, 28 de janeiro de 2012

“Aprendizagem”- AEC- por Abilio Machado




“Aprendizagem”
...Desenvolvimento e adaptação. por Abilio Machado


Resenha apresentada pela EQUIPE 03 A, à disciplina de AEC - Analise Experimental do Comportamento II, ministrada pelo Professor: Ms. Felipe G. de Oliveira ao 4º Período de Psicologia da Faculdade Evangélica do Paraná.


Curitiba, 03 de agosto de 2011



 

“Aprendizagem: desenvolvimento e adaptação”

    O que é o desenvolver? O que é adaptar-se? Este capítulo tenta trazer uma melhor compreensão sobre estes dois processos que são indissolúveis entre si, pois para sobreviver o organismo tem que adaptar-se às mais variadas transformações que apresenta o meio ambiente e para isso há uma análise de todo o sistema envolvido, fisiológico e social, sendo comportamentos públicos ou encobertos.
    O comportamento do sujeito dentro deste modelo, denominada de seleção por conseqüências (Skinner,1984) baseado na Teoria da Evolução de Darwin, diz que se explica quando se mostram adaptativas, então são selecionadas e reproduzidas.(Micheletto,1997).
    Existem duas formas de classificar o comportamento  dos organismos: uma é a análise com base nos aspectos estruturais, das possibilidades de comportamento, o intelecto produzido. A outra diz sobre os aspectos funcionais, dos efeitos que os eventos ambientais e comportamentais produzem entre si, o repertório existente, chamado de ‘relações funcionais’.
    A observação acontece no todo, sem a separação do organismo e do meio ambiente num processo contínuo levando em conta todas as alterações e oferecendo classes de respostas que são determinados comportamentos que irão produzir o mesmo resultado, ‘o efeito comum’ segundo Matos (1997, p. 51).
    Existem as chamadas ‘respostas encobertas’ (Skinner, 1982) que dão referência aos pensamentos sentimentos e os sonhos que causarão interferência no comportamento e com isso no meio, este ambiente é compreendido como sendo um conjunto de estímulos que terão participação no evento e na produção do comportamento, exemplos como som, o tato, uma substância, elemento. Como também os estímulos internos: dor ou cólica pro exemplo.
    O ambiente por Matos (1997) é tudo aquilo que é externo ao comportamento, sob análise e não só aquilo que é externo ao organismo. Um exemplo bom é a sala de aula, a relação professor-aluno é já uma interação aprendida, mas se o professor está com uma dor específica se privará de determinados movimentos e com isso o objetivo de se fazer entendido será prejudicado ou o aluno está com a dor, também será afetado por esta para prestar atenção ao que o professor está tentando ensinar.
De acordo com Gerwits e Peláez-Noueras(1992) as primeiras experiências de um indivíduo influenciam o comportamento: os aspectos fisiológicos, a relação de dependência a habilidades e  seu componentes, comportamentos aprendidos e parte do repertorio que se tornam complexos, aspectos sociais.
    O processo da aprendizagem é analisada ao indivíduo compreendendo eventos antecedentes ou comportamento reflexo, que é a interação do organismo e o seu meio, ação interativa que vai ganhando complexidade, por que um só reflexo ou uma só resposta não são suficientes para lhe garantir a sua sobrevivência.
    Então podemos dizer que desenvolvimento e adaptação ocorrem pela ampliação de seu repertório comportamental que vai sofrendo modificações ou individualizações, repertório esse que vai sendo formado no seu aprendizado de vida, com a apresentação de ganhos nas suas experimentações; o reforçamento, aumento ou redução de freqüências operantes, todos irão influenciar o comportamento, poderão alterar, extinguir ou aumentar outras probabilidades comportamentais.
    O aprender é adquirir um comportamento, é fazer dele resposta a um maior número de estímulos ou presença de diferente evento, onde se analisará a ‘ocasião em que ocorre a resposta produza reforço’ (Catania,1999). Ao adquirir um comportamento discriminativo ocorre quando a resposta é reforçada numa situação específica de estímulos, identificada e aplicada, quando não há a presença de reforço a resposta pode ir a extinção, como o exemplo da criança que fala um palavrão e os coleguinhas riem-se, ela vai tentar repetir na frente da sua mãe que por sua vez não vai gostar, esta criança ira estão selecionar ou discriminar onde aplicará aquele comportamento. Havendo aqui o chamado controle de estímulo, a adaptação da situação e o aprendizado.
    ‘Se todos os comportamentos tivessem a mesma probabilidade de ocorrência em todas as ocasiões, o resultado seria caótico’ descreveu Skinner (1981,p.113). E Millenson (1975) coloca que os estímulos podem ocorrer em graus intermediários. Havendo uma seletividade e alterações mínimas a cada situação tendo probabilidade de generalização da chamada ‘classe de estímulo’ diante de situações que tenham um número maior de pontos significativos ou característicos. A exemplo da criança chutar todo o objeto redondo que lhe lembre ou que lhe assemelhe a bola como os vários modelos de bola e consegue diferenciar de outros de mesma forma arredondada    . Outra forma de controle apresentada neste capítulo é a imitação, que é produzida pela repetição que é o reforçador podendo ser interno ou externo, no caso do som por exemplo a criança pode receber reforço dos pais quando começa a falar como pode simplesmente gostar do som do que ela mesma produz de feito e assim repetir.
    Segundo Andery (1997, p. 204), os homens capazes de comportamentos verbais tornam-se suscetíveis a um novo modelo de seleção por conseqüências de atuação sobre práticas culturais com embasamento social na dependência do envolvimento de mais de um indivíduo, para a própria sobrevivência ou do grupo.
    A extinção é apresentada como alternativa para controle de comportamentos inadequados, identificar corretamente o comportamento e o método correto de aplicação da extinção, pois algumas vezes esta tentativa pode ter uma resposta aversa ao objetivo, no exemplo do texto é o professor tentando chamar a atenção do aluno que pode ter vários resultados reforçador ou punitivo.
    GIbert e Keehn(1972) em laboratório demonstraram que os dois processos, fortalecimento e extinção, não são causadores de um único efeito. E outros estudos (Azrin; Hutchinson; Hake,1966; Harrel.1972; Rillin; Caplan,1975)mostraram que a extinção e o uso da punição também produzem subprodutos emocionais. O exemplo vem com a criança que interrompe a conversa da mãe, vai haver alterações neste pedido como freqüência e tom de voz, choro, grito e até agressão. Na extinção existe um aumento repetitivo (freqüência) e segue a redução e mudança ou diversificação produzindo outros comportamentos até atingir o nível emocional (Millenson,1975). Como retratou Sidman (1995) as pessoas fazem o possível para escapar de situações nas quais não estão obtendo ganho, se não for possível fugir ou esquivar-se, podem contra-atacar.
    A punição é usada na busca de reduzir rapidamente aquele comportamento inadequado específico, que podem vir de um estímulo aversivo (causador de danos: surras) ou a remoção do estímulo apetitivo (retirada de alo que goste: vídeo game). O primeiro pode trazer outros danos e outros comportamentos como a esquiva e a fuga, está é reforçada negativamente (Michael,1993).
    A variável emocional e a apresentação dos estímulos aversivos condicionais que se criam pelo emparelhamento. A observação nos traz que a coerção na interação familiar aponta para decorrências como despreparo do indivíduo.
    E indivíduos que aprendem a oferecer reforços positivos, com a atenção correta na hora correta irá produzir ‘crianças mais competentes, autoconfiantes e felizes’. (Sidman, 1995,p.251)
    Nosso encerramento corrobora a conclusão da autora pelos benefícios que há em ficar atento a cada estágio do desenvolvimento da criança, para se fazer o uso certo dos vários métodos de auxiliar neste processo que é como o texto relata: um grande desafio.
    E ao que Sério (1997, p. 211) diz: que o homem ‘não é dono exclusivo de seu destino’ e que para se tornar totalmente humano tem que se submeter às relações que estabelece com seu ambiente natural e social e sem isto seríamos obrigados a imaginar o homem pronto, acabado ou insensível aos efeitos de suas ações, imutável.

Referência:
Zamberlan, M.A.T. (2008) Psicologia e Prevenção: modelos de intervenção na infância e na adolescência. Londrina: EDUEL.


... Jamais tivesse conhecido a linguagem universal...
Pois quando se mergulha nela,
Aprofunda-se no âmago de sua essência,
É fácil de entender que sempre existe no mundo
Uma pessoa que espera uma outra pessoa,
E quando estas pessoas se encontram
                        E seus olhares se cruzam,
                          Todo o passado e todo futuro
                          Perdem qualquer importância.
                          E só existe aquele momento na fenda do tempo
                          A certeza imóvel de que todas as coisas
                           Debaixo do sol
                          Foram escritas pela mesma mão.
(Consciência: Abilio Machado).

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