sábado, 28 de janeiro de 2012

“ENJAULADOS” ...o filme - Resenha por Abilio Machado.

ANÁLISE EXPERIMENTAL DO COMPORTAMENTO
“ENJAULADOS”
...o filme.

Resenha apresentada pela EQUIPE 03 A, à disciplina de AEC.




“ENJAULADOS - O Filme (1998)” por Abilio Machado.


Walmsley, é um professor substituto encarregado de dar aulas e acaba por perceber  um grupo de adolescentes desajustados que aparentam estarem totalmente fora de controle. A escola não tem dinheiro, os professores se preocupam apenas em sobreviver e compromissos ilegais impedem qualquer mudança radical.

A todo o momento ele é insultado e atacado pelos alunos. Cansado de enfrentar tanta humilhação, ele resolve contra atacar. Sua medida é seqüestrar os alunos e, em um lugar distante os prende, nus, em uma jaula eletrificada para uma nova e dura reeducação. Agora, eles terão que aprender... Por bem ou por mal! A sinopse parece que não vai fazer juz ao filme, mas é bem ao contrário.

Enjaulados acabou sendo um fenômeno cinematográfico que mesmo sem ter uma divulgação digna dos enlatados hollywoodianos caiu na graça do círculo universitário tamanha é a sua essência de demonstrar o aprendizado laboratorial, cito dentro dos experimentos de AEC- Análise Experimental do Comportamento, e, diga-se de passagem, dentro de um contexto já idealizado por muitos, claro sem terem levados a cabo, mas que um ou outro já tiveram esta mesma vontade e a imaginaram em como condicionar comportamentos que andam tão equivocados dentro e sobre a educação que cada vez mais se desprende e se distancia dos padrões esperados para os adolescentes e jovens e seus  comportamentos que vêm assolando as salas de aula.

Antes de discutir o filme é discutir esta realidade contida em seus takes, o processo quase que falido das instituições que pouco conseguem realizar dentro do ensino, na busca da aprendizagem, e a validade do filme vêm justamente oferecer um apoio para que o jovem repense suas atitudes e ao professor venha refletir sobre a pratica da função e levantar questões do como: respeito, moral, ética, comportamento, participação e cidadania e o que é ou não permitivo e permissivo entre a relação professor-aluno e aluno-professor.
 A escola que acreditamos ser viável deve ser um espaço de aprendizagem, na qual tem como função social a formação do cidadão além do aprendizado e absorção de conhecimento.  Ferrari (2004, pg. 33) na revista Escola cita Pissarra que diz “O objetivo de Rousseau (1712-1778) é tanto formar o homem como o cidadão” fazendo referência ao seu livro Emílio onde Rousseau descreve um minucioso tratado sobre a educação, no qual prescreve o passo-a-passo da formação de um jovem fictício, do nascimento aos 25 anos.

Assim a necessidade de tomar como fundamental importância que cada educador e que a escola como um todo repense o seu planejamento, suas práticas e suas próprias continências.
A direção escolar deve ser uma gestão democrática e buscar a construção de uma proposta pedagógica juntamente com a comunidade escolar e a comunidade local, pois a família é a primeira base, ou primeiro contato social, na educação de uma criança e a escola deve estar aberta a este relacionamento, educadores-escola-pais.

O ato de planejar parte das necessidades da escola, por isso é relevante que o (PPP) Projeto Político Pedagógico da escola seja construído com a participação da comunidade escolar e dos pais, é de grande fundamento que as famílias conheçam as necessidades da escola, participando das elaborações de metas e ajudando-o a realizá-las, atos que muitas vezes as escolas se negligenciam mostrando-se mais forte do que na verdade é, uma sociedade não é feita de lobos solitários.

Enfrentando o próprio roteiro do filme  em “Enjaulados” observa-se que a escola na qual o professor foi convidado a ensinar, a direção não tinha autonomia para resolver os problemas que afetavam a instituição. Não havia uma prática reflexiva, deveria relacionar a teoria com a prática, trabalhando a ação –reflexão –ação.
Então a gestão não poderia ser democrática, nem tão pouco trabalhava com um planejamento em parceria com as famílias. De acordo com o citado no filme nas reuniões de pais na escola, a maioria não comparecia e quando aparecia alguém eram os advogados que substituíam aos pais, ocupados com outros ‘problemas’.
Os alunos não respeitavam os professores, agrediam com palavras e também fisicamente como no caso da professora de “Artes” que foi agredida fisicamente pela aluna. Daí a necessidade do planejamento escolar, para trabalhar essas problemáticas da escola, a ceifação da violência é mais que nunca necessária, mas tão comentada nos dias atuais com o comportamento da moda, o ‘Bulliyng’ devido à publicidade gratuita nas redes sociais.

No filme nota-se que a direção chegava a cobrar dos professores o plano de aula, anotações, mas a própria direção não planejava com os docentes que não conseguiam atuar em suas aulas, pois os estudantes estavam indisciplinados, não tinham capacidade de pensar, estavam arraigados apenas aos bens materiais dos pais e não tinham uma sociabilidade, eram orgulhosos, não tinham sonhos e nem disciplina.

O professor como todo o novato, ao chegar à escola, vinha com sonhos de trabalhar os alunos, mas percebeu o quanto era impossível, ele queria ser ouvido, mas os jovens não queriam ouvir; acreditava ele que os professores deveriam educar os seus alunos pelo dever com a sociedade, assim ele planejou afastar alguns alunos da cidade para que através de regras rígidas mostrar que o ser humano é capaz de aprender quando submetido a um condicionamento. Dentro da sua fragilidade, como fazemos com nosso indivíduo na caixa de Skinner, privando-o de água o estamos fragilizando.

E usando destes mesmos métodos, começou a condicioná-los, buscando primeiro a atenção e depois a sociabilidade que não conseguiam antes, através da punição generalizada, que também se apresentava variável na diferença de comportamento do grupo. Um apenas se comportava bem na sua presença, mas quando de sua ausência voltava a ter seus maus comportamentos, suas grosserias e arrogâncias.
 Aconteceu o que ele esperava no experimento eles começaram a mudar, pararam para ouvir, começaram a pensar, a estudar, a dialogar, uns foram ajudando os outros a pensar, a se transformar e trabalhar em equipe, mostrando a sociabilidade que antes não existia.

A metodologia experimental, presença do sinal de campainha e dos choques, aplicada pelo professor deixaram marcas. E dentro desta ótica é que ele conseguiu, impondo medo da morte que foi a encenação feita pelo aluno mais acessível da turma, a busca desta união, da ajuda mútua, da voltagem elétrica aplicada ao grupo como punição ao erro de um é que os trouxe a despertar emocional e social, pelo que percebemos a sua distância observadora fez com que nenhum deles saíssem feridos fisicamente, mas psicologicamente condicionados, pelo que vemos no final do filme durante a entrevista na TV sobre o lançamento do livro e conseqüentemente o sucesso profissional onde ao ouvirem o soar da campainha automaticamente levantam os pés do chão.

O planejamento é um ato político, e é através dele que buscamos os objetivos que almejamos. O professor substituto e a professora de arte alcançaram os seus objetivos que foi a mudança de idéias e de comportamento da turma que começaram a levar o estudo mais a sério, aprenderam a respeitar os outros, exercendo assim a sua cidadania. O filme os “enjaulados” mostra o exemplo que o professor não deve desanimar e nem desistir diante de qualquer dificuldade, é importante buscar alternativas que ajude a superar os problemas, desenvolvendo um trabalho em parceria com competência e responsabilidade.

E agindo assim, estaremos investindo no futuro da nossa sociedade, procurando resgatar os valores e vivenciando práticas sociáveis, não que esta prática seja dentro da lei, mas que vemos acontecer no nosso dia a dia, por exemplos: quando a mãe quer proteger o filho dentro de casa para que ele comporte-se até aprender a perambular pela casa, ela coloca a criança dentro do cercadinho, todo o processo pedagógico dentro da educação infantil é parte de condicionamentos, de buscar em mesmo processo alcançar objetivos na preparação para a alfabetização, o sistema prisional a seu princípio é fazer com que no sistema carcerário haja reflexão e aprendizado por parte do indivíduo condenado.

Outro exemplo é o do Serviço Militar que usa da metodologia todos ‘pagam’ pela incapacidade, deficiência ou negligência de um, por experiência própria (SD 1146-BPEB. 1984-1985) posso afirmar que com o passar dos dias os soldados passam a escutarem as ordens e obedecê-las imediatamente, este método é aplicado no que é chamado de quarentena, que seria o período de aprendizado do recruta para passar a soldado, onde o indivíduo é levado ao seu esgotamento em exercícios físicos e de aptidões, para daí classificarem e serem então indicados a suas funções dentro da corporação.

 Nós acadêmicos acreditamos que a escola ainda tenha o poder de convencimento, ela é capaz de voltar ser a líder da comunidade na busca de uma educação que prime pelo desenvolvimento dos valores humanos como: respeito, tolerância recíproca, paz, harmonia e solidariedade dentre outros, e principalmente na recuperação da condição de ser e ter uma pertença: a família.


Referências bibliográficas:
ALVES, R. (1994). A alegria de ensinar. 6 ed. São Paulo: Ars Poética.
Enjaulados. 1998. Disponível em
    http://www.interfilmes.com/filme_16066_Enjaulados-     (Detention.Learning.Curve).html
Ferrari, M. (2004). O filósofo da liberdade como valor supremo. Grandes pensadores:
    Jean-Jacques Rousseau, pg. 33. Nova Escola. São Paulo: Editora Abril.

Nenhum comentário:

Postar um comentário