sábado, 21 de janeiro de 2012

Sexualidade

                                                                                                                       Por Abilio Machado

          Como enxergar um conceito do que é gênero e sexualidade quando quase não se há acesso a este tipo de assunto, e quando a pouco começou a se entornar vieses sobre esta conceituação passou-se a uma banalização tão efêmera quanto era no passado com seus tabus profícuos de uma moralidade tão falsa quanto os atos cometidos pela mesma sociedade que castrava.
          As famílias mesmo com problemas jamais tocavam no assunto, um assunto proibido, não era decente falar que haveria a chance de existir algo que fosse diferente do que caracterizava de homem-mulher, masculino - feminino, o menino da menina, mas nestes dias de sobrevivência evolutiva as transmutações são mais visíveis, existem terceiras, quartas e quintas e se perdem cada um querendo criar sua própria vertente de separativismo inconsistente, e assim surgem profícuos procedentes e clausurados preconceitos, pois se antes não se bastasse ser homossexual diferente agora nesta rápida exigência por aceitação querem ser diferentes deles mesmo com outros nomes que lhes androginam e lhes separam cada vez mais.
           Saber discernir o que é uma sexualidade e o que é um gênero é para que se aplique ao dia a dia, para que se conheça e esclareça, para refrescar as mentes seja na família, no trabalho e na escola.
          Na escola é claro que ainda é de muito velado, existente medo de que haja rebelados, mesmo sabendo que o que é proibido gera curiosidade e procura entre o meio adolescente que esta fervilhando em hormônios delirantes para saber e conhecer, saber e experimentar, para muitas vezes fazer para contestar... É aí de você que mente ou tenta amaciar as doces verdades, pois quando a experimentabilidade saciar a curiosidade e tua insensatez for descoberta você perdeu o elo que te atava a aquele que queria por outras vias proteger por vã ignorância.
          O papel escolar é ensinar, mostrar, participar! E nestes assuntos traçar perspectivas conscientes de que deve comentar e exercitar a fé na própria missão e se coibir a ter pensamentos preconceituosos e causar induções de homofobias e incentivos a escárneos e dogmatizações.
         “Se Deus é menino e menina... Sou masculino e feminino...” já se dizia a canção de Pepeu Gomes.
          A escola deve estar presente para esclarecer e tirar dúvidas, não deve ser o pivô de conflitos optando por colocar os instintos à flor da pele baseados em preceitos religiosos, políticos ou pessoais.
         Como seria não ser utópico e sim real, o aluno ter na escola um reduto de procura para lhe auxiliar a se entender, a se aceitar, a se compreender antes de tudo como ser humano.
Sei o que pensa... Na verdade esta educação é na verdade seccionadora, é sim preferencialmente natalizadora... Como sei que lá no fundo você sabe que na hora ‘H’ a disposição do assunto é tolher algumas informações com o medo de retaliações de uma direção, de uma secretaria, de um movimento e até mesmo normas institucionais ainda presas lá no passado, mas que causa hoje a diferença.
        Mesmo as catedráticas que se dizem seguidoras de Freire lhe falham quando ao transferir seus conhecimentos transferem também a própria construção de mundo não deixando ao adolescente a sua própria descoberta, até mesmo criam leis que impossibilitam tais experiências, deveriam no mínimo de suas condutas se resolverem pois ao colocar os pés em sala de aula deverão estar de mente aberta ao mundo de inquisições que sofrerão, pois jovem quer saber e não faltará indagações bastará estar aberto para recebê-las. Nós professores, facilitadores, oficineiros temos que ter em conta tais necessidades, pois em algum momento vai surgir o assunto seja ele dentro da sala ou no pátio, no parque ou na piscina, no clube ou na praia e daí está preparado a falar sobre sexualidade e gênero sem atravessar?
              Abrir o jogo é uma obrigação da escola, sem ser vulgar, pois para se mostrar ou criar uma discussão sobre o assunto não é necessário banalizar, palestras com profissionais competentes para a orientação, qualquer faculdade coloca a disposição alunos que tenham realizado seminários sobre o tema basta a escola procurar, saber o caminho das pedras.
             Não quero dizer aqui que o docente não seja competente, apenas que cada um deve se focar em sua área, e pode até ser mais esclarecedor o trabalho realizado por um terceiro.
             Conhecer a sexualidade neste momento é fundamental para que não se crie mitos quanto ao próprio sexo. A orientação sexual é de suma importância para que se busque amenizar a gravidez precoce e a promiscuidade das doenças sexualmente transmissíveis, e aí nosso maior monstro a AIDS. Mostrar aos alunos a questão de gênero na nossa história sempre foi machista, mostrar que a situação das mulheres em todas as sociedades, desde os seus primórdios tinha uma submissão com questão de gênero e de sexualidade, pois a mulher não podia até pouco tempo mostrar seus desejos, fantasias sexuais, pois se mostrasse era apontada como mulher vadia.
            Mas hoje a nossa sociedade já não tem mais esta visão?
             A mulher tem outro papel, é mais independente, não tem mais o casamento como uma obrigação, ela casa se quiser, e isto não ocorria em certos períodos.
             A mulher hoje esta nas mais variadas profissões inclusive nas profissões nominavelmente masculinas, criava-se mitos culturais sobre esta relação tão adversa.
            Que dizer da sexualidade na terceira idade? Se fala pouco pensando que idosos não tem vida sexual ativa.
             E quanto a sexualidade infantil? Ainda ficaremos presos nos casos de que uma cegonha doidona veio e deixou uma cestinha sob o lençol aos pés da cama?
            A sexualidade em situações especiais – as deficiências motora, visual, auditiva e mental?
            Ouvi outro dia em uma palestra que deveríamos tomar cuidado ao falar de sexo, sexualidade e gênero para não fazer com que os alunos levassem o sexo do lado errado... Cá entre nós há lado errado de sexo? O lado errado é deixar de fazê-lo respondi.
           Ps.: E ela parou a palestra e ficou apenas me olhando, não fez nova referência e mudou rapidamente de assunto.

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