sábado, 18 de fevereiro de 2012

ANDROPAUSA


Andropausa ou Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM) ou em inglês “Partial Adrogen Deficiency of the Ageing Male (PADAM) ou simplesmente Testosterona baixa. Muitos nomes, muitas controvérsias e muitos pacientes para ajudar.
Todas as mulheres por volta dos 55anos de idade terão menopausa: diminuem os hormônios femininos, cessa a menstruação e não podem mais engravidar. Já os homens...Não temos um sinal como a menstruação e continuamos férteis. Mas as taxas hormonais também caem. A freqüência da queda da taxa de testosterona (hormônio masculino) não é uma regra como na mulher. Ou seja, nem todos os homens terão queda da testosterona e esta queda quando existe ocorre de maneira lenta, geralmente 10% por década.
Temos como ápice da dosagem de testosterona um adulto de 25 a 35 anos e a partir dessa idade a tendência é de queda. Estima-se que com 70 anos 40% dos homens terão testosterona abaixo do ideal. Vivendo cada vez mais e a medicina podendo ajudar a qualidade deste envelhecimento, é de fundamental necessidade que o medico esteja atento a questão da andropausa.
Sempre que nos referimos à reposição hormonal com testosterona aparecem dois dilemas. O primeiro que testosterona é usada para o doping, para trapacear, usado por atletas sem escrúpulos. E o maior mito, o risco de provocar câncer de próstata.
A terapia de reposição de testosterona (TRT) serve para adequar os níveis desse hormônio deixando no patamar da normalidade aquilo que está baixo. A TRT não visa aumentar exageradamente os níveis de testosterona a fim de alcançar alguma vantagem com isso, muito pelo contrario, o excesso é condenável. Quanto ao câncer de próstata, diversos estudos comprovam que a TRT é segura; tanto que estamos autorizados a repor testosterona no paciente que sofreu uma cirurgia radical de próstata por câncer a partir de 2 anos apos cirurgia desde que o PSA (exame que mostra se o câncer esta curado) esteja indetectável.  O câncer de próstata usa a testosterona como “combustível”, mas a testosterona não é capaz de causar o câncer. Se a queda da testosterona protegesse contra o câncer nos não veríamos a incidência de tumor aumentar à medida que ficamos mais velhos. Existem trabalhos que inclusive demonstram que os tumores de próstata em paciente com testosterona baixa são mais agressivos. Não há nada comprovando esta teoria, mas é possível que a reposição da testosterona quando baixa possa até reduzir o risco de câncer; vamos aguardar novos trabalhos...
Não podemos fazer com que o preconceito e a falta de conhecimento impeça os homens de ajustar sua qualidade de vida. Os que defendem o envelhecimento como algo “natural” e certo deveriam experimentar, por exemplo, ficar sem os óculos para enxergar de perto, já que vista cansada faz parte da evolução da vida. Um simples exame de sangue e uma boa consulta medica poderá ser o divisor de aguas para o bem estar e envelhecimento saudável do homem.

Os sintomas de queda da testosterona são:

SEXUAIS
- Queda da libido (desejo em ter relação sexual);
- Disfunção erétil (impotência);
- Diminuição do volume ejaculado;
- Diminuição da sensação do orgasmo.

COMPOSIÇÃO CORPORAL:
- Perda de força e massa muscular (braços e pernas fininhos);
- Aumento da gordura abdominal.

NEUROPSIQUICOS:
- Irritabilidade (ranzinza);
- Perda de cognição (memória);
- Insônia;
- Perda da vontade de viver (desestimulado);
- Sinais de depressão.


Os sinais de queda da testosterona são:
- Rarefação dos pêlos;
- Osteopenia;
- Anemia.

O diagnostico é feito na entrevista com o medico na qual as queixas serão avaliadas e em seguida é solicitado um exame de sangue para dosar a quantidade de testosterona.
Se a testosterona estiver em níveis normais, mas as queixas forem presentes devemos investigar outras doenças que simulam a andropausa como: depressão, hipotireoidismo, doença cardíaca grave, uso de certos medicamentos etc.
Uma vez coincidido a testosterona baixa e as queixas, iniciamos a reposição hormonal. Existem varias formas de se repor a testosterona com vantagens e desvantagens. Comprimidos, injeções, adesivos, cremes, gel, implantes, etc; para todos os gostos e bolsos.
Não podem fazer TRT nos pacientes com câncer de próstata ou mama, portadores de policitemia (excesso de glóbulos vermelhos no sangue, o contrario de anemia) e portadores de apnéia do sono não tratada.
Os efeitos colaterais são: policitemia e diminuição dos espermatozóides. Outros efeitos como aumento da próstata, ginecomastia, diminuição dos testículos poderão ser contornados com medicações complementares. Pacientes com sintomas severos de prostatismo (dificuldade de urinar) devem estabilizar o quadro primeiro. Pacientes que desejam ter filhos deverão colher amostras de sêmen ou utilizar alternativos de tratamento, pois a TRT diminui a fertilidade.
Com a TRT os sintomas devem desaparecer entre 2 e 3 meses de tratamento e os exames de sangue devem mostrar a normalização no nível de testosterona. O tratamento é para vida toda. Parando o tratamento as queixas voltaram. A escolha é do paciente.
Os pacientes com síndrome metabólica: obesos, hipertensos, com colesterol e trigliceres altos e com diabetes tem uma chance maior de apresentar a testosterona baixa (50% acima dos 50 anos). Apesar de sabermos que os pacientes que sofrem de infarto do miocárdio ou tiveram derrame cerebral tem a testosterona em nível abaixo do normal se comparado com a população normal, ainda não estamos autorizados a repor a testosterona sem que o paciente manifeste a queixa de andropausa. Mas o futuro nos dirá se a testosterona baixa poderá ser um marcador de saúde. Ou seja, testosterona em alta, saúde em alta. Lembro também que somente remédio não muda tudo, devemos aliar a isso a dieta adequada e atividade física.

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