sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Sonhos

Sonhos são interpretados pelo cérebro como atividades reais

(Foto: Thinkstock)
Título original: Dreamed Movement Elicits Activation in the Sensorimotor Cortex
Quem fez: Martin Dresler e Michael Czisch
Instituição: Instituto Max Planck, na Alemanha
Dados de amostragem: Seis pessoas treinadas para terem sonhos lúcidos
Resultado: Ações realizadas durante um sonho são interpretadas pelo cérebro como uma atividade executada enquanto se está acordado
Quando alguém sonha que está caindo, voando, dançando ou mergulhando a sensação é sempre real. O que os cientistas descobriram agora é que o cérebro responde a esses estímulos como se eles estivessem sendo executados enquanto uma pessoa está acordada. Segundo um estudo conduzido por Martin Dresler e Michael Czisch, neurocientistas do Instituto Max Planck, na Alemanha, áreas do cérebro que representam movimentos específicos são ativadas durante os sonhos.
Os pesquisadores utilizaram técnicas de imagens, como ressonância magnética, para “assistir” ao que os voluntários faziam durante o sono. Para conseguir avaliar esses estímulos ao longo da experiência, eles escolheram seis sonhadores lúcidos treinados, ou seja, pessoas que conseguem controlar suas ações nesse estado.
Dresler e Czisch escanearam os cérebros dos voluntários enquanto eles movimentavam as mãos esquerda e direita durante o sonho lúcido. Eles observaram, então, que o registro de atividade neural no córtex sensório-motor do cérebro estava diretamente interligado aos movimentos das mãos realizados no sonho. Em tese, o órgão reagiu ao estímulo como se a pessoa estivesse mexendo os membros enquanto acordada.
“O que a nossa pesquisa sugere é que os sonhos não são representados como cenas visuais, a exemplo do que ocorre quando assistimos a um filme. O ato de sonhar envolve o corpo como um todo”, explica Dresler.
O estudo alemão foi publicado no periódico Current Biology e a expectativa dos neurocientistas é repetir os experimentos com outros sonhadores lúcidos. A ideia do grupo é tentar descobrir como o cérebro responde a sonhos que envolvam movimentos complexos, como andar, falar ou até mesmo voar.
- O que já se sabia sobre o assunto
Neurocientista Sidarta Ribeiro (Foto: Divulgação)
Para o neurocientista Sidarta Ribeiro, do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, o estudo alemão é de grande importância para a comunidade. De acordo com Ribeiro, esta foi a primeira vez que um grupo de pesquisa conseguiu registrar através de imagens as atividades cerebrais durante o sonho. “É difícil uma pessoa conseguir dormir dentro de um aparelho de ressonância magnética para que possamos analisar sua atividade cerebral”, afirmou o especialista. “Essa é uma das razões pela qual existem poucos estudos sobre o assunto publicados em todo o mundo.”
Segundo o acadêmico, só o fato dos especialistas terem conseguido analisar o comportamento de um sonhador lúcido já representa um avanço científico. Essa ativação equivalente nos dois estados (sonhando e acordado) já foi testemunhada no sono, mas nunca comprovada durante os sonhos.
O que é um sonhador lúdico  - O brasileiro explica ainda que o sonho lúcido é uma situação na qual as pessoas têm total controle da situação. “Quase todo mundo já experimentou, especialmente pela manhã ou no cochilo da tarde”, conta. “Poucas pessoas, contudo, conseguem intervir nas atividades realizadas durante esse estado, embora essa capacidade possa ser aprimorada a partir de treinos, como já acontece na yoga tibetana.”
No futuro, prevê o especialista, será possível treinar uma atividade – jogar uma bolinha de papel no cesto de lixo, por exemplo – durante um sonho lúcido e perceber uma melhora significativa em sua execução quando acordado.
Especialista: Sidarta Ribeiro, professor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Envolvimento com o assunto: Considerado um dos mais importantes neurocientistas do Brasil, Ribeiro é PhD pela Universidade de Rockefeller e pós-doutor pela Universidade de Duke. Atua nos seguintes temas: sono, sonho e memória, entre outros.
- Conclusão
O estudo conduzido por Martin Dresler e Michael Czisch, na Alemanha, é importante para os cientistas, já que os ajuda a entender melhor o significado dos sonhos. Se no futuro for possível utilizar o sono para simular atividades que serão executadas quando acordados, estaremos vivendo a realidade proposta pelos irmãos Larry e Andy Wachowski no filme de ficção-científicaMatrix.
(Por Renata Honorato)
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