quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Tricomoníase


A Tricomoníase,

tricomoniose ou tricomonose é uma doença sexualmente transmissível, causada pelo parasita protozoário unicelular Trichomonas vaginalis.
O T. vaginalis é um protozoário oval ou piriforme, anaeróbio facultativo, flagelado, e que possui movimento contínuo característico. É responsável por cerca de 10 a 15% dos corrimentos genitais infecciosos. Segundo a OMS há 170 milhões de infecções por T.vaginalis em cada ano, em pessoas de idades entre 15 e 49 anos, sendo 92% mulheres. Nos países menos desenvolvidos, 5% dos homens e 15% das mulheres são portadores do parasita. Este parasita só afeta o ser humano.
 
O T. vaginalis é transmitido pelo contato entre a mucosa infectada de um indivíduo e a mucosa de outro --- por exemplo, a uretra de um homem e a mucosa vaginal de uma mulher ---, durante a relação sexual sem o uso de preservativo. As mulheres têm mucosas genitais muito mais extensas e receptivas, daí a maior parte das pessoas afetadas serem do sexo feminino.
 
Contudo os homens também são frequentemente infectados e podem ser portadores assintomáticos. É teoricamente possível sua transmissão por fômites (roupas íntimas) e banheiros mal higienizados, contudo esta via de transmissão é mal documentada e geralmente considerada como estatisticamente muito infreqüente, pois o protozoário não apresenta forma cística e é pouco resistente às condições adversas do meio ambiente.

Dessa maneira, o diagnóstico de tricomoníase em crianças e adolescentes deve mandatoriamente levar a uma suspeita e investigação de abuso sexual.Apesar de o T. vaginalis poder infectar o trato geniturinário tanto dos homens como das mulheres, os sintomas são mais frequentes entre as mulheres. Cerca de 20% delas sofrem tricomoníase vaginal durante os seus anos férteis.
Nos homens, o organismo infecta a uretra, a próstata e a bexiga, mas só raras vezes causa sintomas.
O organismo é mais difícil de detectar nos homens do que nas mulheres. O T. vaginalis infecta principalmente o epitélio escamoso do sistema genital. Nas mulheres, a doença pode começar com uma secreção espumosa de cor verde-amarelada e odor desagradável, proveniente da vagina; este corrimento típico, contudo, ocorre em apenas cerca de 20% das pacientes.[3] Nas demais, a referida secreção é apenas ligeira ou ausente.
A vulva (os órgãos genitais femininos externos) pode estar irritada e dolorida, e é possível que o coito também cause dor (evento chamado dispareunia de intróito), devido à vaginite.
Nos casos graves, a vulva e a pele que a rodeia inflamam-se, bem como os grandes e pequenos lábios.
Outros sintomas são dor ao urinar (disúria) ou um aumento na frequência das micções (polaciúria), que se assemelham aos de uma infecção do trato urinário baixo. Ao exame, o cérvice uterino apresenta um aspecto de colpis macularis (descrito como aspecto de morango ou framboesa). Dor abdominal pode ser indicativa de infecção do trato urogenital superior.
 
Citologicamente, displasia e metaplasia do tecido cervical podem ser induzidas pelo parasita. Nas infecções crônicas, os sintomas são discretos e o corrimento vaginal, pouco intenso; estas formas são de grande importância na propagação da doença.
Os homens com tricomoníase não manifestam habitualmente sintomas (estado assintomático), mas podem infectar as suas parceiras sexuais. A
lguns apresentam uma secreção proveniente da uretra, espumosa e semelhante ao pus, sentem dor ao urinar (disúria) e polaciúria (estado agudo). Os referidos sintomas costumam ter lugar principalmente de manhã cedo.
A uretra pode sofrer uma ligeira irritação e por vezes aparece umidade no orifício do pênis.
Pode também se manifestar como doença sintomática leve e clinicamente indistinguível de outras causas de uretrites.Disúria, uretrite ou contaminação por bactérias oportunistas são ocorrência comum em ambos os sexos.

A patogênese do T. vaginalis se inicia com a alteração do pH vaginal de ácido (3,8 a 4,5) para alcalino (acima de 5,0, mais propício ao crescimento do parasita). Há redução da flora normal de Lactobacillus acidophilus, substituída progressivamente por flora anaeróbica. Há estímulo da resposta inflamatória humoral, atraindo leucócitos que são subsequentemente fagocitados e degradados pelo parasita. Diversos fatores de virulência, como enzimas, são determinantes na adesão do parasita às células epiteliais e eventual destruição das mesmas. Quatro enzimas (adesinas) são implicadas como mediadors de sua aderência: AP 23, AP33 , AP51 e AP65. além destas, atua também na patogênese o Cell-detaching factor (CDF, fator de destacamento celular). Sua síntese é dependente do Ferro. Outras enzimas são as cisteína-proteínases, capazes de produzir hemólise, citotoxicidade, e degradação de anticorpos locais.
Hemácias são fagocitadas e utilizadas como fonte de ferro e lipídeos. Embora ative a via alternativa do complemento, O T. vaginalis tem também a propriedade de se revestir de antígenos plasmáticos do hospedeiro, o que lhe confere resistência aos ataques imunológicos.
 
Além disso, o tecido vaginal é pobre em complemento, sendo sua principal fonte representada pelo sangramento menstrual --- o qual por outro lado representa fonte de alimento e estímulo aos fatores dependentes de Ferro do T. vaginalis.
A infecção pelo T. vaginalis não é capaz de produzir reação de imunidade duradoura, sendo muito mais comum a sua cronificação.
No caso das mulheres, o diagnóstico geralmente estabelece-se em poucos minutos, examinando uma amostra da secreção vaginal ao microscópio.
No caso dos homens, é necessária a coleta de secreção uretral por meio de Zaragatoa ou alça de platina, preferencialmente pela manhã, quando a secreção é mais abundante. A massagem prostática pode auxiliar na sua detecção.

O material deve ser analisado imediatamente.Mulheres sentem cólicas, como mestruais, não sentem vontade de ter relações sexuais e querem vomitar nas pessoas. Concomitantemente, devem ser efetuadas análises para outras doenças de transmissão sexual, cujo risco de contágio acompanha o da tricomoníase (Como Sífilis, HIV, Gonorréia e Hepatite B).
Em ambos os sexos, pode fazer-se também o diagnóstico através da coleta de urina de primeiro jato, a qual é imediatamente concentrada por meio de centrifugação, e analisada em preparações a fresco à microscopia óptica (o parasita tem aspecto e motilidade característicos) ou em preparações coradas.
Os mesmos materiais podem ser submetidos ao cultivo microbiológico, sendo recomendável o cultivo simultâneo de material em meios específicos para Neisseria gonorrhoeae e a investigação da presença de Chlamydia Trachomatis e Ureaplasma urealyticum (outras doenças sexualmente transmissíveis causadoras de uretrite, as quais podem estar presentes concomitantemente ou não com a tricomoníase). A cultura mais demorada (usualmente demora de três a cinco dias), mas é considerada mais sensível que o exame microscópico, sendo cerca de 80% a 90% dos casos diagnosticados pela cultura positivos à microscopia.
 
É comum a associaçâo do T. vaginalis com a Neisseria gonorrhoeae e com micoplasmas, em virtude de sua capacidade de fagocitar estes organismos. É também frequente o sinergismo com bactérias anaeróbicas.
Nas mulheres pode haver colpite, manifesta à colposcopia pelo "colo em framboesa" e pelo aspecto tigróide à análise pelo Teste de Schiller.Técnicas de Reação de Polimerase em Cadeia (PCR) estão disponíveis e são altamente sensíveis e específicas, porém de custo elevado. Técnicas imunológicas (como aglutinação e ELISA) de detecção também são disponíveis, mas são de sensibilidade e especificidades variáveis em virtude de aspectos clínicos da doença.