terça-feira, 14 de agosto de 2012

CISTITE


Representa um dos principais motivos de atendimento medico de urgência. Só quem teve uma cistite sabe como é incomodo e incapacitante, impedindo o paciente de realizar suas atividades normais. As mulheres sofrem mais que os homens, e acredita-se que 1 em cada 3 mulheres vão ter pelo menos 1 episodio de infecção do trato urinário (ITU) ao longo da vida. E cerca de 20% das mulheres com ITU vão apresentar novos episódios com frequência, cistite de repetição (3 episódios em 6 meses ou 4 em 1 ano).

As mulheres sofrem mais de cistite do que os homens devido a sua anatomia peculiar na qual o canal da urina é mais curto e próximo no trato intestinal. As bactérias do intestino que lá não causam doenças são as responsáveis pela ITU. A cistite não ocorre por ingestão de abacaxi, carne de porco, vaso sanitário público ou relação sexual. A infecção surge pela invasão de uma bactéria do intestino na bexiga.

Também sabemos que desde cedo as meninas são informadas de como fazer sua higiene intima, sempre no sentido da frente para trás. Mas isso só não basta. Muitas pacientes se perguntam: Por que eu fui a escolhida? Sabemos que a seleção aleatória de uma bactéria avida pela mucosa da bexiga associado a preceitos genéticos que conferem maior aderência bacteriana são responsáveis pela frequência de ITU em algumas mulheres.
Raros são os casos onde encontramos uma explicação, 1 em cada 20 casos de cistite de repetição é causado por cálculos renais infectados, disfunção de esvaziamento da bexiga, divertículos uretrais, corpo estranho como resto de pontos cirúrgicos, etc.

O diagnostico de cistite além do quadro clinico (ardor- disúria, frequência aumentada- polaciúria, sangramento na urina-hematúria, dor ao baixo ventre) necessita ser confirmado através do exame de cultura de urina. Este exame é colhido da urina (jato médio) de preferencia o 1º da manhã ou tendo a urina permanecida na bexiga por no mínimo 2 horas. Este exame vem acompanhado do antibiograma para identificarmos além da bactéria o antibiótico especifico que poderá ser mais efetivo.
Em 70% dos casos de cistite, a bactéria encontrada é a Escherichia coli (E. coli ou coliforme fecal) e menos frequente Klebisiela, Proteus e Estafilococos. O antibiótico deverá seguir o antibiograma. Geralmente usamos como 1ª escolha os antibióticos do grupo das quinolonas (Levofloxacino, Ciprofloxacino, Norfloxacino) seguido do Bactrim, Clavulin, Monuril (dose única), Keflex, Macrodantina. Todos por via oral num prazo de 7 dias em media. Pode ser usado 3 dias de tratamento em pacientes que não sejam diabéticas, idosas, crianças ou imunossuprimidas.

Mas a maioria dos pacientes não faz o exame de cultura de urina. São tratadas empiricamente apenas com a queixa ou no máximo com um exame de urina tipo I. O exame de urina tipo I irá demonstrar o aumento dos leucócitos na urina, mas não indica qual bactéria é a causadora da ITU ou qual antibiótico deverá ser usado. Muitas pacientes simplesmente repetem o antibiótico receitado no ultimo episodio de infecção. Sabemos que cerca de 30% dos tratamentos realizados sem ajuda do antibiograma, tem resistência, ou seja, a bactéria sobreviverá.
Após o tratamento com antibiótico é obrigatório a realização de novos exames de urina para comprovação do extermínio da bactéria. Apenas o fim ou melhora dos sintomas não garantem a cura da ITU.

Para as pacientes que apresentam ITU de repetição é necessário complementar o tratamento com medidas profiláticas:

1) Manejo para evitar novas ITU (vide DICAS)
2) Extrato de Cranberry: Diminui a aderência bacteriana.
3) Liofilizado de E. coli (Urovaxon): Imunoterapia. Aumenta as defesas naturais contra a bactéria.
4) Antibiótico profilático: Dosagem menor com uso continuo (6 meses). Pré-coito por demanda.
5) Acido hialurônico (Cystistat): Aumenta a barreira de proteção da mucosa da bexiga.
6) Reposição hormonal: Pomadas para recomposição do trofismo geniturinário na menopausa.
7) Pró- bióticos: melhoria da flora gastrointestinal e vaginal

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