sábado, 25 de agosto de 2012

Descobrindo o amor...

Mas a grande descoberta da adolescência é a do amor, que vai ser um importantíssimo sinal de qualidade na construção da subjetividade. Ter a capacidade de investir uma pessoa como um verdadeiro parceiro no amor vai marcar definitivamente o fim das escolhas edípicas (com a dissolução do complexo de Édipo), posicionando o jovem no caminho definitivo da maturidade. Os adolescentes são sensíveis, disponíveis e ávidos para viver o namoro, e há exagero quando se fala de promiscuidade amorosa entre eles, pois muitos buscam viver uma grande paixão. Aqui encontramos, talvez, a essência e a beleza de todo o processo do adolescimento. 

Novamente surgem emboscadas, pois diante da angústia desencadeada pelas perdas e transformações, a relação amorosa pode ser vivida com sentimentos de domínio, simbiose, dependência, representando um deslocamento de modalidades relacionais problemáticas da infância.

Grandes sofrimentos, ou mesmo suicídios, decorrem de frustrações nas relações amorosas.

O amor na adolescência inspira romancistas, poetas, músicos e cineas-tas, muitas vezes com ênfase em seus aspectos apaixonados, violentos e trágicos. Mas com a psicanálise constatamos que, desde a infância, é a partir dos cuidados e do amor do outro que se constitui o corpo e, depois, o ego infantil. Em outras palavras, é do olhar impregnado de amor do outro que o ego infantil tira sua força para se constituir.

Na adolescência mudam os protagonistas, mas mantém-se a estrutura, pois o corpo e o ego revivem a experiência de não integração, e é novamente no encontro com o olhar do parceiro amado que o sujeito vai se reapropriar de sua nova identidade.

Para saber mais
Adolescência normal. A. Aberastury e M. Knobel. Artes Médicas, 1992.

Violência no corpo. Violência na mente. W. Ranña, em Adolescência pelos caminhos da violência. D. L. Levisky (org.). Casa do Psicólogo, 1998.

A criança e o adolescente: seu corpo, sua história e os eixos da constituição subjetiva. W. Ranña, em Psicossoma III. R. Volich, F. Ferraz e W. Ranña (org.). Casa do Psicólogo, 2003.

Sobre o lugar da adolescência na teoria do sujeito. R. Ruffino, em Adolescência. Abordagem psicanalítica. C. R. Rappaport (coord.), EPU, 1993
Wagner Ranña é médico pediatra, psicanalista, mestre pela Faculdade de Medicina da USP, assistente do Serviço de Psiquiatria e Psicologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da USP, docente do Instituto Sedes Sapientiae, coordenador de Projetos de Saúde Mental da Criança e do Adolescente e co-organizador da série Psicossoma: psicossomática e psicanálise (Casa do Psicólogo).

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