sábado, 25 de agosto de 2012

Mitos sobre vida sexual de deficientes físicos

Por incrível que pareça, o assunto é tabu total. Se o assunto sexo ainda carrega uma série de preconceitos e dilemas morais, a questão da sexualidade dos deficientes é ainda mais complexa. Difícil ver alguém que se lembre que, independentemente das condições físicas, o sexo continua, e tem lugar para todo mundo, é claro.
Falar sobre o tema pode até parecer que estamos entrando no reino das Taras. “Gente que quer transar com deficiente? Por que não procura alguém normal?”
A resposta é simples: Não há gente normal, principalmente quando se trata de sexo. Como diria Nelson Rodrigues “Se soubéssemos o que nossos amigos fazem na cama a gente nem estendia a mão para eles…”
Da mesma maneira que não há normalidade na sexualidade, há prazer, a mesma questão aparece para os deficientes, mas surgem vários (e bota vários) problemas para quem é cadeirante, por exemplo.
Para começar, a própria dificuldade de locomoção. Não só física, mas pelos ambientes de uma cidade. São raros os bares e ruas adaptados para as necessidades especiais. Imagina só os Motéis! Quantos motéis existem adaptados para cadeirantes e outros tipos de deficiência?
Só no Brasil existem 16 milhões de deficientes… E poucas pessoas se importam com isto.

olha só o artigo abaixo

Adaptação é feita com troca de informações com outros deficientes.
Médicos ainda informam pouco sobre o assunto, diz psicóloga da Unesp.
A sexualidade dos deficientes físicos ainda é um tabu. Contrariando o senso comum de que pessoas com necessidades especiais têm uma vida sexual pouco ativa em função das próprias limitações, o trabalho de pós-doutorado da psicóloga da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Ana Cláudia Bortolozzi Maia, aponta que essa população tem sim interesse sexual, mas ainda esbarra nas dificuldades de orientação.

A psicóloga, que tem um livro sobre o tema (Sexualidade e Deficiências, Editora Unesp), acompanhou um grupo de 12 pessoas com diferentes dificuldades de locomoção. O resultado das entrevistas realizadas pela pesquisadora demonstra que além do interesse pelo relacionamento amoroso e sexual, os portadores de deficiência aprendem a adaptar suas vidas sexuais com a troca de informações com outros deficientes.

A relação sexual, nesses casos, pode requerer alguns cuidados especiais, como a aplicação de lubrificantes para as mulheres e o uso de medicamentos orais ou intravenosos para a ereção do pênis. Também pode ser necessário esvaziar a bexiga antes do ato e adaptar posições “Eles aprendem mesmo é com os outros deficientes, pois muitas vezes os médicos não estão preparados para falar sobre o assunto com eles”, diz Ana Cláudia.



Foto: SXC.HU

Portadores de deficiência trocam informações sobre sexualidade (Foto: SXC.HU)

A psicóloga conta que a auto-estima e a preocupação com a aparência foram assuntos constantemente relatados pelos entrevistados. “A preocupação com a questão estética foi demonstrada por ambos os sexos”, afirma a psicóloga.

No entanto, entre as preocupações dessa população há diferenças. Enquanto os homens demonstram mais preocupação com a capacidade de ter ereções, as mulheres têm dúvidas em relação ao orgasmo, à fertilidade e à capacidade de se sentirem atraentes. “No caso de deficiências adquiridas (como lesões medulares resultantes de acidentes), os homens costumam comparar também suas performances hoje com antes de serem deficientes”, diz.

A pesquisa de Ana Cláudia aponta que um comportamento comum entre os familiares dos deficientes é achar que eles não têm interesse por sexo, namoro e casamento. Uma jovem que participou do estudo conta que sua mãe não se importa quando ela sai com amigos homens, mas controla sua irmã mais nova, como se o contato dela com rapazes fosse assexuado e sem intenções eróticas, ao contrário da irmã não-deficiente.

Deficiência intelectual
Ana Cláudia, que também faz o acompanhamento de deficientes intelectuais, conta que nesses casos o tabu pode ser ainda maior. “Fingir que eles não têm desejo só piora a situação”, afirma. “Hoje, muitos deficientes intelectuais contraem Aids porque têm vida sexual mas não têm acesso a informação.”

fonte:
Emilio Sant'Anna Do G1, em São Paulo

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