sábado, 25 de agosto de 2012

Os traumas da adolescência...

A adolescência pode ser muito traumática para um jovem que já tenha dado mostras de fragilidades egóicas. As transformações físicas e psicológicas vão resultar numa fragmentação egóica violenta. É por isso que na adolescência costumam ocorrer problemas de saúde mental importantes, tais como anorexia, esquizofrenia, pânico, depressão (principalmente a depressão manifestada por sintomas agressivos), todos tendo como desencadeantes dificuldades no processo de elaboração dos três lutos anteriormente assinalados. Nesses casos, existe uma via de mão dupla: o adolescente recusa a tarefa do caminho para a vida adulta, e os pais, em conjunto ou isoladamente, recusam-se a ver o filho crescer e seguir sua própria vida. Não é de estranhar que o suicídio possa ser visto como uma forma de aliviar o trauma que o adolescer pode representar para um determinado sujeito.

E o que falar das mortes por acidentes? A busca por excitações cada vez maiores e a ilusão de ser um super-homem fazem com que os adolescentes sintam fascínio pela velocidade, pelas quedas e pelos esportes radicais. A excitação da "quase morte" ou do "foi por um triz" é vista como mais estimulante que um bom orgasmo. Existe aqui também a necessidade de se mostrar corajoso para os parceiros da turma. Os acidentes então ocorrem. Não devemos esquecer que o álcool está associado ao acidente automobilístico de forma bem conhecida.

Quanto à sexualidade, devemos constatar uma questão nova, pois se para os adolescentes anteriores ao famoso ano de 1968, ou seja, antes das grandes transformações nos comportamentos sexuais da contemporaneidade, o desafio e o desejado eram o sexo, hoje, a busca por excitações cada vez maiores extrapola a sexualidade, ampliando-se para comportamentos e desejos bem mais complexos. "Ficar", namorar e transar ainda são uma busca e um desafio. Mas a balada, a bebida, as drogas, o celular de último tipo, o tênis mais transado, o carro, as roupas, tudo vai compor uma economia libidinal muito pouco disposta a esperar ou adiar suas realizações. Em psicanálise dizemos que saímos da economia do prazer, para entrarmos na economia do gozo. A famosa colocação de um adolescente imaginário, atônito diante do novo corpo, "E agora, o que faço com este tesão?", pode ser recolocada da seguinte forma: "E agora, quem vai segurar meu gozo?". O verbo "segurar" é importante para evidenciar que os adolescentes necessitam de liberdade, mas ao mesmo tempo de limites bem colocados, pois o gozo demanda interdição. Pais e educadores, meio atônitos com as novidades, porém, perderam os parâmetros e, ao se pretender liberais, na verdade acabam deixando os jovens desamparados.

Além dessa mudança na economia libidinal, encontramos situações em que o amadurecimento sexual é vivido com grandes inseguranças e inibições, desencadeantes de sintomas neuróticos diversos.

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