terça-feira, 7 de agosto de 2012

Sexo restrito



Será que gays que são só ativos ou só passivos têm uma visão muito restrita do sexo? O futuro estaria na versatilidade?
por João Marinho*

Falar sobre preferências sexuais é mexer num vespeiro. Afinal, diz o ditado popular, “gosto não se discute”. Mesmo assim, o assunto “você é ativo, passivo ou versátil”, aqui e ali, é discutido por articulistas em artigos para revistas gays. Acredito que possamos dar nossa contribuição.

Análise do discurso
De início, é preciso dizer, vou defender a “exclusividade”. Nada contra os versáteis, muito pelo contrário. Eles merecem admiração e respeito. Defenderei, sim, os só ativos e os só passivos do discurso que se articula contra eles, a que chamo, informalmente, “ditadura da versatilidade”.
Isso porque tal discurso é, via de regra, crítico (no pior sentido) – e tem duas fases. Ativos e passivos são, por vezes, encarados como “restritivos”. É o que se verifica, por exemplo, no dia a dia, em comentários como: “Nossa, só? Ah, eu faço os dois! Entre quatro paredes, vale tudo!”. De certa forma, fica a ideia de que os “exclusivos” são “incompletos”.
A segunda fase é encontrada nos artigos a que me referi. Cheguei a encontrá-la no texto de um psicólogo para uma famosa publicação gay: a ideia de que ativos e passivos reproduzem o padrão heteronormativo da sociedade, em uma relação não igualitária de dominação-submissão.
Aqui, a versatilidade aparece como libertária – e os “exclusivos” viram conservadores ou retrógrados, dignos de desconfiança por parte da intelligentsia gay.

Vale tudo?
Ocorre que o argumento da restrição é pouco consistente. Por um motivo simples: todos nós, em algum ponto, temos restrições sexuais. De certo modo, até mesmo ser gay comporta um tipo de restrição: afinal, boa parte de nós tem relações apenas com homens, e não com mulheres.
Ora, a partir desse conceito amplo, não é verdadeiro o argumento de que “vale tudo” entre quatro paredes: vale o que dá prazer ao casal (ou trio, etc.) – e não é tudo que cumpre esse papel.
A verdade é que versáteis podem ser menos restritivos no que tange à penetração – mas não significa que não tenham restrições outras e nas quais possam ser superados pelos “exclusivos”.
Darei um exemplo simples de minha vida pessoal. Certo dia, quando eu conversava com um amigo versátil sobre esse assunto – e sabendo ele que sou exclusivamente passivo –, ele defendeu a idéia de que ativos e passivos são “restritivos”.

fonte sexboys.com.

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