sábado, 18 de agosto de 2012

Sobre o Feminicídio e o Dia Internacional das Mulheres



Feminicídio ou femicídio é a denominação dada para crimes contra mulheres, pela simples razão de serem mulheres, pregando o ódio e a discriminação, por formas de dominação, exercendo um poder e um controle sob suas ações e por muitas vezes já ocorrido, chegando a estupros e assassinatos brutais. São ações contínuas e sistemáticas, violando os direitos das mulheres e dos direitos humanos.
O assassinato baseado em gênero sempre fez parte da história da humanidade e nos séculos XIV e XV, nos quais a Igreja Católica “dominou” a sociedade, acusando qualquer um de ser herege, onde ocorreram os mais crimes bárbaros contra as mulheres. A Inquisição, instituída para combater a heresia, tinha como missão perseguir os seguidores inspirados por Satã. Havia, ainda, um componente sexista. Os bruxos existiam, mas eram as mulheres, sobretudo, que iam queimadas nas fogueiras medievais.
Essa ignorância em relação à crenças da época fez com que milhares de mulheres fossem queimadas vivas em praça pública, apenas por “parecerem bruxas”. A adoração à Satã, em que a igreja católica as acusava, também era algo estupidamnete sem fundamentos, porque em religiões pagãs nem sequer existe alguma figura semelhante ao demônio.
A caça às Bruxas, que matou milhares de mulheres.
Uma psicose se instalou. Comunidades do centro-oeste da França acusavam seus membros de feitiçarias. Uma epidemia provocou muitas mortes que foram imputadas à mulheres da região, de preferência as muito magras e feias. Presas, submetidas a interrogatórios e torturadas, algumas acabavam por confessar seus crimes contra as crianças, e condenadas à fogueira pelo conselheiro municipal. As que não confessavam eram, muitas vezes, linchadas e queimadas pela multidão, irritada com a falta de condenação.
Já na virada pro século XX,  com a Revolução Industrial e a I Guerra Mundial, ocorreu uma incorporação da mão-de-obra feminina em massa na indústria. Em condições de trabalho precárias, exploratórias e insalubres que causavam várias mortes, não demorou muito para que protestos ecoassem pelo mundo industrial, com manifestações e greves de mulheres que sempre geravam repressão da burguesia, causando assim, várias mortes nas paralisações. A data de 8 de março foi escolhida como o Dia Internacional da Mulher para relembrar as lutas sociais, políticas e econômicas das mulheres nesse período. Mas a data acaba por ganhar um significado maior para o comércio. Pouco se sabe do significado do dia e a importância dele para os movimentos feministas.
Já chegando ao século XXI, a discriminação e o generocídio ainda é uma situação social maldita. Mulheres ainda morrem por serem mulheres. Mulheres ainda são sub-julgadas como o sexo frágil. Mulheres ainda são banalizadas e perseguidas. O feminicídio nunca deixou de ser um fato da atualidade.
Na América Latina e no Caribe, os assassinatos de mulheres e meninas têm se intensificado ao longo dos últimos anos. “A violência contra as mulheres é um dos mais sérios problemas que afetam essa região, um problema que, em suas forma mais extrema, resulta no assassinato de centenas de mulheres e meninas e pode incluir torturas, mutilações, crueldades e/ou violência sexual. Este tipo de violência foi especificamente definido em alguns países como femicídio e, em outros, como feminicídio.”
O pior do feminicídio é que na maioria das vezes, os crimes cometidos contra as mulheres partem de homens conhecidos das vítimas: maridos, namorados, membros da família, amigos… E quando o Estado  não garante a segurança e quando aqueles que deviam zelar pela igualdade acabam por ser os primeiros a oprimi-las, acaba que a responsabilidade de estupros, agressões, assassinatos caem em cima das próprias mulheres. O machismo perpetua a ignorância e a apatia, os sexistas realçam seus separatismos e a forma de combate a violência contra a mulher acaba não acontecendo de fato.
No México, por exemplo, há cidade chamada Juarez, em que a população feminina vem sendo aniquilada cruelmente desde 1993. A maioria dos casos de morte ou desaparecimento ocorreu quando as mulheres estavam indo ou voltando de seus trabalhos nas fábricas, em regime de semi-escravidão. Segundo informações não oficiais, há cerca de 600 mulheres desaparecidas.
Os cadáveres de mulheres quando eram encontrados, mostravam que haviam sido vítimas de violência sexual, sendo mutiladas, desfiguradas e estranguladas. Ficaram semanas desaparecidas e quando eram encontradas, os exames revelavam que passaram momentos de tortura, de orgias e outros padecimentos.
Esses fatos serviram como tema do filme “Cidade do Silêncio” (Bordertown)
No Congo há uma superstição que diz que se um homem viola mulheres muito jovens ou muito idosas obtém poderes especiais, e por isso meninas de menos de doze anos de idade e mulheres de mais de oitenta anos são vítimas de violação. Soldados soropositivos organizam comandos nas aldeias para violar as mulheres, mutilá-las…
No Brasil, a Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, chamada lei Maria da Penha, procurou amenizar os efeitos da violência doméstica no país, que recai, geralmente , sobre a mulher. Mas essa lei não garante a total segurança e punição. O corpo feminino é um “mercado publicitário” nas telecomunicações (comerciais de cerveja mostram exatamente isso).  As mulheres do campo não vivem com dignidade e com acesso fácil a saúde, abusos de poder e crimes absurdos contra a natureza feminina estouram a todo momento na mídia… Ou seja, o 8 de março pras mulheres não só significa um parabéns num único dia do ano e no outros dias tratá-las como empregadas, donas de casa que só servem para parir filhos e enfeitar o mundo (como disse a @ananda_lh), ficarmos nos perguntando quem trai mais ou quem é mais inteligente, reprimir seus ideiais, julgá-las santas ou putas, explorá-las etc… Essas questões só reforçam que há muito o que mudar e muito a se fazer para que o fim da violência contra a mulher deixe de ser uma utopia e passe a ser uma realidade justa.
O ano tem 365 dias e deixar apenas o 8 de março para lembrar DELAS não é muito pouco? A limitação masculina impede muito que a mulher seja realmente vista e impede também que seja percebido que em qualquer sociedade, ser homem é considerado um privilégio e o machismo como algo natural. Conceitos históricos precisam ser extintos e rosas vermelhas mais significativas devem ser entregues todos os dias! O ideal do movimento feminista não é criar um planeta só de mulheres, mas justamente não mais precisar de um movimento que lute por direitos iguais!

fonte: Papo de homem -  por Adriano Alves

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