sábado, 13 de outubro de 2012

Adolescência e a Lagosta




A adolescência é um período de transição que separa a infância da vida adulta, do qual estabelecer os limites é muito difícil. A psicanalista francesa Francoise Dolto (Fonte: Palavras para Adolescentes de F. Dolto e C. Dolto Tolitch) diz que esta fase assemelha-se ao nascimento, pois neste momento separa-se o bebê da sua mãe, cortando o cordão umbilical. Mas freqüentemente esquece-se que entre o filho e sua mãe há um órgão de ligação extraordinário: a placenta. Esta dá ao feto tudo aquilo que é necessário à sobrevivência e filtra muitas substâncias perigosas que circulam no sangue materno. Antes do nascimento, seria impossível viver sem a placenta, porém, ao nascer, o bebê precisa abandoná-la.
Então, a adolescência, para Dolto, seria como um segundo nascimento que acontecerá progressivamente. Aos poucos, é preciso abandonar a proteção familiar, como um dia abandonou-se a placenta protetora. Deixamos para trás a criança, temos repentinamente a impressão que vamos morrer. Nesta intensa mutação, conhecemos muito bem aquilo que morre, mas não sabemos para onde nos dirigimos.
Tudo acontece de forma muito rápida e intensa, apesar de nossa vontade. É quase impossível controlar estas transformações que aparecem muitas vezes imperiosamente, num ritmo que nos atropela.
Vivem-se muitas crises na adolescência.  As crises pelas quais passamos não devem ser necessariamente encaradas como situações negativas, nem como castigos injustos. Cada crise representa uma oportunidade de transformação. Um segredo: é a própria energia da crise que promove mudanças reais na nossa vida. 
A metáfora da lagosta
Dolto comparou a adolescência à vida das lagostas. Esse crustáceo vive tranqüilo no fundo mar, protegido pela sua carapaça dura e resistente. Mas, dentro da carapaça, a lagosta continua a crescer. Ao final de um ano, surge uma situação de crise: sua casa ficou pequena.  Ela tem de enfrentar um grande dilema: ou permanece dentro da carapaça, e morre sufocada; ou arrisca sair dela, abandonando-a, até que seu organismo crie uma nova carapaça de proteção, de tamanho maior, e que lhe servirá de couraça por mais um ano. A grande lição da lagosta: para sobreviver, ela tem de trocar de carapaça. Nestes períodos elas perdem a antiga, ficando expostas e sem defesas, até desenvolverem uma nova carapaça.
Vagando no mar, sem a carapaça, a lagosta fica mais vulnerável aos muitos predadores que se alimentam dela. Mesmo assim, movida por um irresistível instinto de mudança, ela sempre prefere sair. Dentro da velha carapaça que se transformou em prisão, não tem nenhuma chance.
Nos períodos de troca de carapaça, as lagostas estão sempre em perigo iminente, e para os jovens acontece algo similar. Criar uma nova carapaça dói e é sofrido.
A lagosta, sem proteção, teme o côngrio, que ronda perto dela pronto para devorá-la.  A adolescência parece-se com o drama da lagosta, ameaçada de ser devorada pelo côngrio.
Há muitos processos que ocorrem neste período e são sentidos como ameaçadores, pois desestabilizam a vida do jovem. Os internos hormonais da puberdade como a troca da voz para os rapazes, o aparecimento de pelos púbicos, o aumento dos seios para as garotas, entre outros, são sentidos  como erupções incontroláveis que vem do interior. Por outro lado, as exigências externas dos diferentes papéis sociais, como ser aceito pelo grupo de amigos, terem sucesso com o sexo oposto, entre outros.
Devido às profundas transformações físicas, emocionais e sociais, a adolescência constitui-se num período de fragilidade. Através das informações disponibilizadas neste site, gostaríamos de contribuir para que cada um possa aproveitar o máximo desta fase.
Sabemos que não existe uma adolescência sem problemas, sem sofrimentos. Talvez seja este um dos períodos mais dolorosos da vida, mas também  período das alegrias e das emoções mais intensas.
 Fonte: Psicologa Maria Cristina Capobianco

Nenhum comentário:

Postar um comentário