sábado, 13 de outubro de 2012

Sexualidade na adolescência




Este assunto é tão abrangente que pensamos em abordá-lo em vários capítulos dando ênfase a diferentes aspectos de cada vez. Iniciaremos com um texto introdutório sobre Homossexualidade.
Homossexualidade
Na adolescência, surgem muitas dúvidas e muitos rapazes e meninas se questionam sobre aquilo que sentem à medida que experimentam emoções novas e descobrem seu corpo. É a fase da experimentação por excelência, a vontade de conhecer o inédito: a primeira menstruação, a primeira relação sexual, a primeira balada, o primeiro beijo, uma primeira paixão.  Não é fácil achar alguém com quem compartilhar este turbilhão de sentimentos. 
 Vitor, 15 anos, nos contatou e nos falou do seu segredo: “Faz tempo que sou atraído por meninos. Pensei que iria passar com o tempo, porém à medida que os meses passam me dou conta que o sentimento permanece. Cada vez que meu pai toca no assunto da homossexualidade, ele o faz de forma violenta ou faz piadas grosseiras que me deixam sentindo muito mal, imagina contar a ele! Meus amigos e amigas são heterossexuais, não sei como reagiriam se eu contasse o que acontece comigo. “Tenho 15 anos e não sei se sou homo ou hetero, não falo com ninguém porque tenho vergonha que zombem de mim”, diz Vitor.
 Apesar de estar na boca do povo, a sexualidade é ainda um tema tabu. Ela fascina, intriga, excita, e traz angustias também. As pressões sociais parecem obrigar a definir e a escolher uma identidade sexual. Na adolescência estas pressões são muito sofridas, já que são pressionados a se definir em alguma categoria. Homo ou hétero, freqüentemente tem-se a sensação de ter que escolher sua tendência, então se procura signos ou provas que nos demonstrem que pertencemos a um ou a outro.
Porém a adolescência não se resume a classificações e cada pessoa a experimenta de forma diferente e não há regras nem manual sobre este assunto. Não podemos ter pressa, é preciso de tempo para se conhecer e conhecer seus próprios desejos. É a fase da experimentação de papeis sexuais e sociais. As vivências não são definitivas nem significam compromissos para o futuro.
Sentir um afeto intenso por um amigo ou amiga não quer dizer obrigatoriamente que se é homossexual ou lésbica. Também, não podemos dizer que a masturbação que possa acontecer entre amigos enquanto assiste-se a filmes pornográficos seja uma prática reservada exclusivamente a homossexuais.
Explorar o corpo, descobrir sensações novas e tentar procurar conhecer-se, são etapas fundamentais que precisam ser passadas para achar um certo equilíbrio, e a pressa pode nos confundir. Entre a homossexualidade exclusiva e a heterossexualidade exclusiva existe uma ampla gama de possibilidades existenciais e sexuais.
Cada um trilhará seu próprio caminho para encontrar-se, e isto não é tão fácil quanto parece. Interlocutores sábios, abertos e sem preconceitos são difíceis de achar, e nesta aventura de passagem para a vida adulta freqüentemente os jovens se sentem desamparados e as emoções podem transbordar. A família e os amigos às vezes não compreendem o que está acontecendo. Nestes momentos vale a pena conversar com algum profissional da área "psi" (psicólogo, psicoterapeuta, psicanalista) para que se possa achar pistas e retomar o caminho.
 Fonte: Psicóloga Maria Cristina Capobianco

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