sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A JOVEM DESILUDIDA


 de Abilio Machado.

        Estava ela feliz, data de casamento marcado, o noivo que mamãe pediu a Deus, mas o destino terreno lhe passou uma rasteira, ele, jovem viçoso se envolvei com uma outra pessoa, não lhe disse quem era por mais que tentasse saber, apenas disse:
__Espero que você encontre alguém, eu... Sabe... Encontrei uma pessoa e não consigo nem mesmo respirar longe dela.
         Sem saber o que dizer fechou se em si sem desiludida e infeliz. Não sabia como enfrentar o problema.
         Não conseguia considerar o aspecto positivo, não notava que a sua ilusão era relacionada aos sentimentos dele, noivo. Não pensou que ainda bem que aconteceu agora, bem antes de casamento realizado, filhos, vida em sociedade, pois casamento é mais que relação é um contrato social...
         No seu íntimo se repete:
__Mas ele é o homem de minha vida... Como? Eihmm? Por quê?
         Mesmo nesta facção repetitiva teima em não reconhecer o óbvio se ele fosse seu homem não lhe deixaria, neste gesto de lhe procurar e lhe falar lhe disse que é dele boa amiga, confiável, mas não o ar que lhe rege, mesmo quando apanhando sai foto naquele porta retrato barato comprado na ‘ Coisas e coisinhas’ ali da XV e se declama ao amor tanto lhe ofertado, passando longe do significado de que amor com extremo é paixão, uma má conselheira, que causa rancores, sustenta mágoas e acabam infernizando de memórias falhas nossos momentos.
Se acusa de coisas não feitas, de atos não entregues, até não consegue imaginá-lo em outros braços, e a vontade de estapeá-lo para que saia do transe. O simbolismo aplicável de que realmente não sente por ele nada, isso não é amor, amar é querer bem, é respeito, até sobre esta opção dele tomada sobre sue próprio destino.
Chama a ele de criminoso e injusto, olhou para o verde do parque e proferiu maledicências, desiludida, mas sem vingança, deve compreender que perdão é alívio, que é calmaria para a alma.
Tem momentos que quer que o mundo se abra e queria morrer a correr o risco de vê-lo assim a passear no mesmo lugar que você... uma visão espiritual lhe diria de como seria agradável mas a apenas aqueles que são chamados por Deus depois de uma vida de trabalho e dedicação ao bem, e em sua mocidade sabe que sua incursão à terra está apenas principiando, tire essa idéia maluca da cabeça de suicídio, não se desvalorize, agradeça a Deus por ter te afastado nesta frustrada tentativa e acredite isso seria apenas uma fuga, e que logo após a passagem descobriria que as dores e sofrimentos seriam maiores...
Por mais que lhe pese a vida com desilusão, decida em não a possuir, é um espinho que causa desequilíbrio e perturbações... Se renove, procure outros rostos na multidão, se envolva ao trabalho, aos estudos, busque uma religião, são suportes biológicos e espirituais que lhe manterão psiquicamente em estabilidade... Procure um trabalho de voluntariado, ajude pessoas, conhecendo o seu meio saberá que muitas vezes o que verá são problemas muito maiores que o seu e quem os possuem lutam para sobreviverem e jamais se entregarem...
Olhe por um instante ao redor... E vai ver que não somos ilhas, somos seres talvez nascidos para ficarmos isolados em nossa dor, mas conseguimos nos mantêm altos com o apoio que nos provém de nossos iguais que passam pela nossa vida, uns tiram-nos pedaços e que nos fazem chorar, mas outros nos oferecem tanto, nos preenchem e nos completam de tal maneira que acabamos por olhar a este passado tão presente e dizer:
__ Que bom que isso aconteceu!
Até imagino aquele dia quando o encontrou no parque andando com aquele moço, de cabelos pintados e lindo de viver, você suspirou aliviada por não ser quem imaginava pelo menos até o momento em que ele apresentou o amigo:
__Oi querida, quero que você conheça a Jojo espero que sejam amigos, pois afinal vocês dois tem algo em comum: eu!
Afinal ‘amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção’ como nos disse Antoine de Saint-Exupéry.

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