quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Cirurgia da próstata

Cirurgia da próstata: quando ela deve ser feita?

  A próstata1 é uma glândula2 reprodutiva masculina que produz o fluido que carrega o esperma3, situada na base da bexiga4. Ela envolve a uretra5, tubo final de excreção da urina6, que passa por dentro dela. A próstata1 cresce bastante com o passar da idade, podendo atingir várias vezes seu tamanho inicial. Esse crescimento geralmente causa problemas urinários aos idosos.
1 Próstata: Glândula que (nos machos) circunda o colo da BEXIGA e da URETRA. Secreta uma substância que liquefaz o sêmem coagulado. Está situada na cavidade pélvica (atrás da parte inferior da SÍNFISE PÚBICA, acima da camada profunda do ligamento triangular) e está assentada sobre o RETO.
2 Glândula: Estrutura do organismo especializada na produção de substâncias que podem ser lançadas na corrente sangüínea (glândulas endócrinas) ou em uma superfície mucosa ou cutânea (glândulas exócrinas). A saliva, o suor, o muco, são exemplos de produtos de glândulas exócrinas. Os hormônios da tireóide, a insulina e os estrógenos são de secreção endócrina.
3 Esperma: Esperma ou sêmen. Líquido denso, gelatinoso, branco acinzentado e opaco, que contém espermatozoides e que serve para conduzi-los até o óvulo. O esperma é o líquido da ejaculação. Ele é composto de plasma seminal e espermatozoides. Este plasma contém nutrientes que alimentam e protegem os espermatozoides.
4 Bexiga: Órgão cavitário, situado na cavidade pélvica, no qual é armazenada a urina, que é produzida pelos rins. É uma víscera oca caracterizada por sua distensibilidade. Tem a forma de pêra quando está vazia e a forma de bola quando está cheia.
5 Uretra: É um órgão túbulo-muscular que serve para eliminação da urina.
6 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
O que é a próstata1?

A próstata1 é uma glândula2 reprodutiva masculina que produz o fluido que carrega o esperma3, situada na base da bexiga4. Ela envolve a uretra5, tubo final de excreção da urina6, que passa por dentro dela. A próstata1 cresce bastante com o passar da idade, podendo atingir várias vezes seu tamanho inicial. Esse crescimento geralmente causa problemas urinários aos idosos. Quando essa glândula2 apenas cresce e não sofre mutação nas suas células7 fala-se de hiperplasia8 benigna da próstata1. Se a próstata1 cresce para fora, sem comprimir a uretra5, não gera sintomas9. A glândula2 também cresce no câncer10 da próstata1, mas nestes casos formam-se nódulos que podem ser notados pelo urologista11 por meio do toque retal. A incidência12 do câncer10 de próstata1 aumenta muito com a progressão da idade (13% aos 60 anos, 45% aos 80 anos e 100% aos 100 anos).

Quando se deve fazer a cirurgia da próstata1?

Consideremos um paciente com hiperplasia8 benigna da próstata1. Nesses casos, a opinião do paciente é muito importante porque ela não ameaça a sua vida, mas o seu conforto, e só exige cirurgia quando as consequências que acarreta se tornam muito incomodativas ou comprometem demais a qualidade de vida da pessoa. A principal consequência dela é que aumenta muito a frequência com que a pessoa tem de urinar, ocasiona alguma dificuldade de urinar, diminui muito a força do jato urinário e a quantidade de urina6 eliminada a cada vez. Esses sintomas9 são muito incomodativos, sobretudo à noite, acordando o paciente por diversas vezes durante o sono. Enquanto os sintomas9 forem menos intensos e não forem sentidos como um incômodo muito grande, a cirurgia não deve ser feita. Algumas medicações, como a finasterida, por exemplo, podem diminuir um pouco o tamanho da próstata1. Os bloqueadores alfa-adrenérgicos13 podem abrir o canal da uretra5 e por vezes aliviar os sintomas9, fazendo com que os pacientes passem a urinar melhor.
Como se processa a cirurgia da próstata1?

Nos casos de hiperplasia8 benigna da próstata1 a cirurgia é feita por via uretral14 e chamada de ressecção transuretral15 de próstata1. O cirurgião introduz através da uretra5 um endoscópio (fino tubo contendo uma câmera de TV na sua extremidade) e retira a porção do tecido16 prostático que a esteja comprimido. O paciente pode deixar o hospital depois de dois dias, após retirar a sonda que foi colocada na sua uretra5, mas no mesmo dia já pode assentar-se e ver televisão, por exemplo. Os receios dos pacientes de que essa cirurgia possa causar impotência17 sexual e incontinência urinária18 não têm muito fundamento e ela, na verdade, quase nunca chega a prejudicar a função sexual nem a micção19. Recentemente, têm sido tentados outros métodos alternativos para solucionar os problemas causados pela hiperplasia8 benigna da próstata1, como a crioterapia20, a aplicação de raios laser e a infiltração da glândula2 com álcool absoluto, etc., mas essas técnicas ainda não têm um uso extensivo.
Nos casos de câncer10 de próstata1, deve-se procurar saber se o tumor21 se localiza dentro ou fora da glândula2, porque isso fará diferença no tratamento. Se ele é interno pode-se fazer cirurgia, radioterapia22 ou braquiterapia23. Se externo, pode ser tratado com hormônios e optar-se por fazer ou não cirurgia e radioterapia22. A cirurgia para o caso - prostatectomia aberta - pode ser feita com anestesia24 geral ou espinhal e consiste da retirada da próstata1, e com ela, do tumor21, por meio de uma incisão25 feita abaixo do umbigo26 ou no períneo27. Nesse caso, o paciente permanece no hospital por quatro ou cinco dias, pelo menos. A radioterapia22 consiste na aplicação diária, durante seis a sete semanas, de um feixe concentrado de irradiação. É um tratamento mais simples do que a cirurgia, mas os resultados podem não ser tão radicais. A braquiterapia23 é uma modalidade de radioterapia22. Consiste na colocação de agulhas na próstata1 do paciente, através das quais são implantadas sementes radioativas dentro da glândula2.

Como evolui a cirurgia da próstata1?

A cirurgia de hiperplasia8 benigna da próstata1 geralmente é bem sucedida e definitiva e quase nunca ocorrem complicações.
As recidivas e a necessidade de uma nova cirurgia apenas ocorrem em 4 a 5% dos casos.
A cirurgia de hiperplasia8 benigna da próstata1 é segura.
No caso de câncer10 da próstata1, a cirurgia é o método que oferece melhores porcentagens de cura, apesar do risco maior de impotência17 sexual e de perda involuntária28 de urina6.

Quais são as medidas que em alguns casos podem dispensar ou protelar a cirurgia da próstata1?

  • Urine prontamente, assim que sentir vontade.
  • Programe suas micções29 com menores intervalos de tempo, mesmo que não sinta necessidade de urinar.
  • Urine sempre antes de dormir.
  • Evite o álcool e a cafeína, sobretudo à noite. Essas substâncias excitam a bexiga4.
  • Divida os líquidos ao longo do dia e não beba uma grande quantidade de uma vez.
  • Evite tomar líquidos antes de dormir.
  • Procure reduzir o estresse, porque ele pode levar a uma micção19 mais frequente.
  • Use medicamentos, conforme orientação médica. 
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ABC.MED.BR, 2013. Cirurgia da próstata

Espermograma

Quando um homem deve fazer? Como o exame é feito e para que serve?

  Para se gerar um novo ser humano é preciso que os espermatozoides1 (gametas2 masculinos) possuam condições de encontrar e fecundar o óvulo feminino. O espermograma é um exame que visa analisar as condições físicas e químicas do sêmen3 humano e as propriedades dos espermatozoides1, avaliando as condições dele para fertilizar o óvulo feminino. Geralmente ele é feito na tentativa de devolver ao homem a capacidade de procriar e de diagnosticar a natureza da sua incapacidade, quando houver, muitas vezes permitindo tratá-la.
1 Espermatozóides: Células reprodutivas masculinas.
2 Gametas: Células reprodutoras encontradas em organismos multicelulares.
3 Sêmen: Sêmen ou esperma. Líquido denso, gelatinoso, branco acinzentado e opaco, que contém espermatozoides e que serve para conduzi-los até o óvulo. O sêmen é o líquido da ejaculação. Ele é composto de plasma seminal e espermatozoides. Este plasma contém nutrientes que alimentam e protegem os espermatozoides.

O que é espermograma?

Para se gerar um novo ser humano é preciso que os espermatozoides1 (gametas2 masculinos) possuam condições de encontrar e fecundar o óvulo feminino. O espermograma é um exame que visa analisar as condições físicas e químicas do sêmen3 humano e as propriedades dos espermatozoides1, avaliando as condições dele para fertilizar o óvulo feminino. Geralmente ele é feito na tentativa de devolver ao homem a capacidade de procriar e de diagnosticar a natureza da sua incapacidade, quando houver, muitas vezes permitindo tratá-la.

Para que serve o exame?

O espermograma ajuda a avaliar as funções dos testículos4 e das glândulas5 seminais, servindo também para monitorar a fertilidade, após uma cirurgia de vasectomia.

Existe alguma preparação para a realização do espermograma?

O paciente deve ficar de três a cinco dias sem manter relações sexuais e abster-se de outra forma qualquer de ejaculação6, porque tanto a qualidade, quanto a quantidade dos espermatozoides1 são afetadas por ela (se o exame for feito para monitorar vasectomia, não é necessário abster-se de ejaculação6). De regra, nenhum outro preparo é necessário. Em raros casos em que se deseja dosar a frutose7, alguma recomendação pode ser feita quanto à dieta.

Em que consiste o exame?

O exame geralmente é feito em laboratório. Ele consiste em colher o sêmen3 num frasco de boca larga, esterilizado, através da masturbação8 realizada em sala especialmente preparada para este fim. Após a coleta, o sêmen3 será analisado macro e microscopicamente. Para aqueles que se sintam muito constrangidos em colher o material num laboratório, ele pode ser colhido em casa, mas deve ser mantido aquecido e levado ao laboratório o mais rapidamente possível (dentro de 60 minutos após a coleta, no máximo). Essa opção, no entanto, deve ser evitada.
Em virtude da grande variabilidade apresentada pelo exame e das múltiplas influências físicas e psicológicas a que ele está sujeito, ele deve, idealmente, ser repetido mais duas vezes, num espaço de quinze dias entre cada realização. Os espermatozoides1 são então avaliados quanto à sua forma, quantidade e mobilidade .

Quem deve fazer o exame?

Normalmente, o exame é feito no decorrer de uma investigação de infertilidade9 de um casal ou por homens suspeitos de infertilidade9 ou que se saiba serem inférteis, para determinar a natureza dessa infertilidade9.
Para que se dê a produção de um novo ser é necessário que o espermatozoide10 seja capaz de alcançar e fertilizar o óvulo. Para isso, ele precisa ter uma série de propriedades, como movimentos bem direcionados, formato adequado e capacidade de penetrar no interior do óvulo. O exame é feito para avaliar esses parâmetros ou para monitorar uma vasectomia.

O que este exame pode indicar?

O exame pode indicar a possibilidade de fertilidade ou infertilidade9 masculina. Um espermograma normal é um indicador (não o único, nem o definitivo) da fertilidade masculina. Um exame macroscópico avalia, a olho11 nu, a quantidade, o odor, a viscosidade12 e o pH do sêmen3. Uma análise microscópica avalia, através de um microscópio, a concentração, morfologia e motilidade dos espermatozoides1. Ao mesmo tempo, pode também examinar a presença de bactérias e de glóbulos sanguíneos13 no sêmen3. Os dados obtidos são então comparados com padrões normais e conhecidos por médicos especialistas, e permitem, assim, um diagnóstico14. De uma maneira muito resumida, estes valores são:
  • Concentração de espermatozoide10 por mililitro de sêmen3 maior do que 20 milhões.
  • Motilidade progressiva (espermatozoides1 que se deslocam) maior do que 50%.
  • Morfologia normal maior do que 15%.
Um espermograma anormal pode indicar:
  • Azoospermia15: ausência total de espermatozoides1.
  • Oligospermia: espermatozoides1 presentes em número inferior ao normal.
  • Astenospermia: motilidade diminuída dos espermatozoides1.
  • Oligoastenospermia: diminuição do número e motilidade dos espermatozoides1.
  • Teratospermia: alterações do formato dos espermatozoides1.
  • Necrospermia: alta percentagem de espermatozoides1 mortos.
  • Leucospermia: alta taxa de leucócitos16 no líquido seminal17. Pode ser um sinal18 de infecção19.
Cada uma dessas alterações dos espermatozoides1 pode ser ocasionada por diversas condições orgânicas, que cabe ao médico examinar.

Existe algum uso especial do espermograma?
Pacientes que vão receber quimioterapia20 podem ter seu sêmen3 congelado, para preservar sua fertilidade, caso suas células21 seminais deixem de funcionar.

ABC.MED.BR, 2013. Espermograma

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A Sexualidade na Escola: Homossexualidade parte 10


Anexo I – Questionário
  1. O que você entende por Homossexualidade?
  2. Já houve caso de homossexualidade na escola? Em relação a alunos e pais de alunos.
2.1) Em havendo, como tratou o assunto?
2.2) Não havendo, como a escola trataria?
  1. Como os demais alunos interagem com o aluno homossexual? Como se dá a dinâmica da sala de aula?
  2. Existem funcionários e/ou professores homossexuais na escola? Como isso interfere no processo educacional dos alunos?
  3. A escola aborda o tema Sexualidade (Bissexualidade, Homossexualidade e Heterossexualidade) em sala de aula? Como?
  4. A educação sexual está na grade curricular dos alunos? Ela influencia de alguma forma os alunos em questão de respeito e informação quanto a questão da homossexualidade?
  5. De que maneira os pais dos alunos homossexuais interferem no processo educacional de seus filhos?
  6. De que maneira os pais dos demais alunos interferem no processo educacional de seus filhos em relação aos alunos homossexuais? Existe algum tipo de solicitação à escola?
  7. Como o aluno homossexual se coloca/ interage na escola?
  8. A sexualidade do aluno interfere em seu processo de aprendizagem? Como?

    se puder responder algumas destas perguntas faça-os ali nos comentários, valeu.

A Sexualidade na Escola: Homossexualidade parte 9


Referências:


ABRAMOVAY, M. (Org.). CASTRO, Mary, et al. Juventudes e sexualidade.
Brasília: UNESCO, 2004.
BRASIL. Estatuto da Criança e do adolescente. 1990.
BRASIL. Constituição do Brasil. Brasília, 1998
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é cultura? 26.ª ed. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1991.
______. O que é educação? 10.ª ed. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1983.
______. O que é educação popular? São Paulo: Ed. Brasiliense, 2006.
FERENCZI, S. (1911) “O homoerotismo: nosologia da homossexualidade masculina”. In: Obras completas. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
 FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade I: A Vontade de Saber. Rio de Janeiro: Graal, 16ª ed., 2005.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Tradução de Raquel Ramalhete 29ª Edição Petrópolis: VOZES, 2004
GRAÑA, Roberto B. Homossexualidade: formulações psicanalíticas atuais. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
GUIA PARA EDUCADORES(AS). Educando para a diversidade. Curitiba: jun. 2006.
CEPAC.
JUVENTUDES E SEXUALIDADE. UNESCO. Brasília, 2004.
PICAZIO, Cláudio. Diferentes desejos: adolescentes homo, bi e heterossexuais. São Paulo: Summus, 1998.

Textos Online:

CONTEÚDO BLOBAL. Homossexualismo. Disponível em: < http://www.conteudoglobal.com/sociedade/homossexualismo/>. Data de acesso: 21/08/2010.
FERNANDES, Janaina Fernandes. O Adolescente homossexual na dinâmica escolar . ( 23/09/2007 ) . Disponível em: www.redepsi.com.br  - Acesso em 18/08/2010.
LAURENTI, Ruy. Homossexualismo e a Classificação Internacional de Doenças. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 18, n. 5, Oct.  1984.   Disponível em: <http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89101984000500002&lng=en&nrm=iso>. Acessado em:  27/08/2010.  doi: 10.1590/S0034-89101984000500002.
LIMA, R. A polêmica sobre as causas do homossexualismo. Disponível em: <http://www.espacoacademico.com.br/000/0ray.htm>. Data de acesso: 12/08/2010.
LUCION, C. “Homofobia na escola pública”. Maio/2009. Disponível em: <http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/981-4.pdf>. Acesso em 30/08/2010.
OLIVEIRA, Meire Rose dos Anjos, MORGADO Maria Aparecida. Jovens, Sexualidade e Educação: Homossexualidade no Espaço Escolar: Disponível em: www.anped.org.br/reunioes/29ra/trabalhos/.../GT23-2357--Int.pdf - Acesso em: 18/08/2010.
RIBEIRO, Carla Mirella M.do N.A. Relações Humanas: Homossexualidade nas Escolas. Disponível em: http://www.meuartigo.brasilescola.com/educacao/relacoes-humanas-homossexualidade-nas-escolas.htm: Acesso em 26/08/2010.
SANTOS, Anderson. Homossexualidade na escola. Disponível em http://www.armariox.com.br/conteudos/artigos/015-homonaescola.php; Acesso em 26/08/2010.
SILVA, Aline Ferraz, VIEIRA Jarbas Santos. Pelo sentido da vista: um olhar gay na escola. Currículo sem Fronteiras, v.9, n.2, pp.185-200, Jul/Dez 2009. ISSN 1645-1384 Disponível em: www.curriculosemfronteiras.org

A Sexualidade na Escola: Homossexualidade parte 8


3. Conclusão

De forma geral,  o assunto “Homossexualidade” é abordado na escola,  porém sem dar muita ênfase, tendo em vista que as principais questões são DST, gravidez, uso de preservativo e prevenção.
 Segundo (LUCION, 2009),a educação sexual não está voltada para a diversidade colocada, mas sim em padrões heterossexuais fixos que acabam produzindo pessoas infelizes, cercadas de culpa por serem diferentes. A sociedade de padrões brancos, masculinos, heterossexuais acaba refletida na escola que segue esses mesmos padrões transformando aqueles que não se encaixam nesse esquema em pessoas indesejáveis, passiveis de serem ridicularizadas, desprezadas, segregadas, vítimas das piores violências e ódio que assim é chamado de homofobia.
Neste momento encontra-se uma grande contradição, pois o papel da escola e dos educadores é de inclusão. Há programas de inclusão dos portadores de necessidades especiais, inclusão do ensino indígena nas aldeias, da cultura afro, dos adultos para alfabetização e, no entanto, sobre as manifestações de sexualidade a escola mantêm-se silenciosa, contribuindo muito para a pratica da homofobia.
FERNANDES (2007) analisa a relação da família com adolescentes homossexuais, mas tem seu foco no contexto escolar, uma vez que a escola é o ambiente que deve favorecer o respeito pela diversidade. Embora, na pratica as coisas não sejam bem assim, pois na escola o adolescente homossexual sofre discriminação e preconceito, e dificuldade de aceitação por parte de alunos e professores. Os amigos tendem a se afastar, pois acabam também sendo rotulados como homossexuais e sofrendo o mesmo tipo de discriminação e preconceito. Desta forma, o adolescente homossexual acaba sendo vitima de muito sofrimento, provocado pela rejeição no espaço que deveria servir como mediador e acolhedor destes jovens. Os homossexuais não são vistos como normais e produtivos, gerando um isolamento por parte do próprio sujeito, o que compromete a constituição de sua identidade, fazendo com que o mesmo ou repense sua opção sexual ou se marginalize buscando preservar sua opção . Isto se deve segundo LOURO (apud Fernandes 2007), ao fato de que as pessoas sentem a heterossexualidade ameaçada e se obrigam a  afirmá-la de todas as formas possíveis. Na escola, os alunos não são estimulados a serem solidários com seus colegas “diferentes”, étnicos, sexuais ou com necessidades especiais. Vê-se aí, que a escola ao não abordar estas questões, acaba por legitimar as marcas da diferença. Segundo a autora, a sociedade não discute abertamente a homossexualidade, com medo de que isso possa interferir na orientação sexual dos adolescentes, mas que a escola tem a obrigação de discutir o tema, uma vez que é uma instituição social, cuja função é formar cidadãos.
A escola deve ser fonte de conhecimento e desmistificação de tabus e preconceitos infundados. A escola se apresenta ignorante quando não aprofunda tais questões, não adianta falar sobre o assunto se a forma de apresentá-lo estiver carregada de preconceitos, sem um preparo do profissional que se dispõe a falar (FERNANDES, 2007).      
Somente através da discussão objetiva, clara e isenta de preconceitos, é possível tratar a sexualidade de forma ampla, dentro do espaço escolar, pois o silencio fortalece o preconceito e a desinformação.

A Sexualidade na Escola: Homossexualidade parte 7


2.3. Homofobia e a Constituição 
 
A homossexualidade não é mais vista como doença, como desvio, como crime pela medicina e psicologia, porém a escola continua a esquivar-se de tratar esse assunto, ou quando tenta mencionar o tema, este vem carregado de preconceitos e piadas contribuindo assim para a exclusão e violência desse grupo social.
Discutir sobre a homossexualidade é um tabu nas escolas, causando diversas reações, desde surpresa, vergonha e risos a horror, desdém e desconfiança. A homofobia incomoda tanto o homossexual quanto que a reproduz.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) publicou em 2004 o estudo Juventude e Sexualidade, fruto de uma pesquisa em 14 capitais brasileiras. O levantamento indicou, entre outros tópicos, que cerca de 27% dos(as) alunos(as) não gostariam, por exemplo, de ter um(a) colega de classe homossexual, 60% dos professores(as) não sabem como abordar a questão em sala de aula e 35% dos pais e mães não apóiam que seus filhos(as) estudem no mesmo local que gays e lésbicas. (GUIA PARA EDUCADORES(AS), 2006, p.8).
A pesquisa realizada pela UNESCO já revela como a maioria das escolas lida com a homossexualidade, esta evita falar ou discutir o tema.
A homossexualidade nas escolas é muitas vezes vista como uma prática desviante, amoral, fora dos padrões aceitáveis para um processo educativo, ou simplesmente ela é silenciada, percebida, mas ignorada (ABRAMOVAY, 2004).
Dentro dessa educação homofóbica que vem acompanhada de uma falta de sensibilidade para o diferente acaba-se tendo como resultado o silencio e a dissimulação. A incapacidade de muitas escolas em estudar esse tema, diluir os preconceitos e cessar as piadas, comentários maldosos, transferências de alunos por não adequação à escola e aos padrões por ela imposta, acaba resultando em quando não é possível esconder ou silenciar a manifestação de alunos homossexuais, a homofobia atua da forma cruel e intolerante entre os alunos e com a anuência ou omissão de professores.
Outra contradição que se pode encontrar na escola é que ao mesmo tempo em que ela reproduz a homofobia negando o reconhecimento para esses sujeitos, esta se alicerça em leis e estatutos que rejeitam qualquer tipo de exclusão, desrespeito a liberdade e integridade humana. Assim, todas as escolas deveriam respeitar a Constituição Federal de 1988, que em seu artigo 5° diz o seguinte:
Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se a todos a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e a propriedade. Ninguém será obrigado fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei. (parágrafo 2º)
III - Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento desumano ou degradante.
Também é encontrado no artigo 15 do Estatuto da Criança e do Adolescente (1990):
Art. 15 – A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais, garantidos na Constituição e nas leis.
A homofobia é uma produção histórica cultural que já foi justificada nas ciências e leis, e a escola inserida nessas condições históricas as reproduz e reafirma o que a sociedade exige dela, portanto ela não é criação exclusiva da escola, é produto de toda uma produção histórica ao longo de décadas.
A homofobia acabou adquirindo explicação para ser praticada e foi banalizada pela sociedade e escola, na qual as atitudes preconceituosas chegam a ponto de tornarem-se normais.
A escola deve ser pensada como um ambiente onde valores humanos, igualdade, respeito, solidariedade e democracia sejam os pilares fundamentais, e onde também, a exploração, e qualquer forma de discriminação seja rigorosamente combatida. Um novo mundo está por nascer e, talvez ele dê seus primeiros passos na escola, para isso precisamos tomar consciência da discriminação e aos poucos desconstruirmos preconceitos, racismos, machismos e homofobias (LUCION, 2009, p.14).

A Sexualidade na Escola: Homossexualidade parte 6


2.2. Homossexualidade na Escola 


Nos tempos atuais há uma grande necessidade de repensar sobre as relações humanas, focando principalmente na homossexualidade. Mesmo não obtendo respostas dadas pela ciência ou pela psicanálise ajudam na mudança rápida e na opinião das pessoas. Antigamente a homossexualidade era encarada como algo errôneo, mal visto pela sociedade. (MIRELLA, 2009).
Segundo MIRELLA (2009), estamos em uma face de transição de opinião que vem sendo notório a todos. É comum vermos casais homossexuais em bares, restaurantes, festas, cinemas, e cada dia mais essa liberdade de escolha sexual começa a ser aceita, mostrando a mudança da sociedade.
Um dos primeiros contatos sociais que a criança e o adolescente encontram em suas vidas são as escolas, onde aprendem lógica, línguas e principalmente sobre outras culturas e sociedades. Porém, nem todos os assuntos  são abordados com afinco, como por exemplo, a  homossexualidade ainda tratado com  preconceito e  desinformação.  É comum nas escolas brincadeiras de mau gosto, maus tratos físico e/ou verbal ao individuo homossexual, podendo causar-lhe grandes danos psicológicos e morais, sem que os demais percebam e assim dando continuidade as  suas “brincadeiras”. As escolas tanto particulares quando publicas deveriam abranger mais sobre esse assunto, dando oportunidade dos alunos se aproximarem mais e de obter mais conhecimento. Normalmente as escolas particulares não dão ouvido ao aluno homossexual que esta passando por problemas na escola, causando um grande impacto na vida social desse aluno. (SANTOS, 2010).
Aprendemos a viver em sociedade e para a sociedade é na escola que o aluno conhece seus direitos e deveres, se manifesta, constrói sua própria opinião e aceita as diferenças dos outros, o professor entra como um gancho mediador de todo o conhecimento que está sendo construído e se necessário trabalha para modificá-lo. Para se trabalhar com o assunto da homossexualidade em sala de aula, observamos varias dificuldades, como o constrangimento por parte de alguns alunos , por tratar-se de um  assunto “reprimido” na sociedade, causando conflitos entre a escola e os pais, que muitas vezes desinformados, julgam a disciplina e assim criam obstáculos. (MIRELLA, 2009).
A capacitação dos professores e as ações educativas da escola, são fundamentais para favorecer o fortalecimento da educação sexual, focando principalmente nos assuntos sobre homossexualidade e lesbianismo, potencializando a possibilidade de relação humanas mais igualitárias. (MIRELLA, 2009).

A Sexualidade na Escola: Homossexualidade parte 5


2. Aspectos Teóricos
A seguir serão apresentadas algumas explanações teóricas acerca dos principais aspectos tratados neste artigo:
2.1. Sobre A Educação
A educação sempre esteve presente na humanidade. Os indígenas, por exemplo, passavam para seus filhos tudo o que era essencial para se tornarem grandes guerreiros. Existiam também certas características específicas de cada tribo que eram passadas de pai para filho, não existindo uma escola ou um educador, mas sim, a transmissão de cultura e conhecimento retransmitidos todos os dias para a tribo (BRANDÃO, 1991).
O processo de educação surge com a família, no momento em que os pais ensinam a seus filhos o que julgam ser certo e como devem ser comportar. Iniciando assim a formação da criança.
A aprendizagem é um fenômeno natural, no momento em que o bebê vem ao mundo é exposto a vários fatores de aprendizagem, alguns inatos, como a sucção, outros aprendidos culturalmente, como por exemplo, a partir da identificação de sons até a consolidação da fala com uma linguagem específica. A educação está em todo lugar, e em situações completamente diferentes umas das outras, dependendo muito da cultura de determinado povo, porém, não há um único modelo de educação, ela pode estar presente nas escolas, teatros, famílias, etc (BRANDÃO, 1983).
A escola, por exemplo, faz parte do meio de aprendizagem do indivíduo, pois assim, este é capaz de adquirir conhecimentos referentes a áreas específicas, como por exemplo, Matemática, Geografia, História, Língua Portuguesa, entre outras. Porém a escola não transmite apenas conhecimentos obtidos pela ciência, mas também educa a criança para a vida, dando continuidade ao processo da família.
O processo de aprendizagem busca desenvolver no indivíduo o interesse, a curiosidade e a motivação, para assim estimular a vontade de aprender.
Aprender significa tornar-se, sobre o organismo, uma pessoa, ou seja, realizar em cada experiência humana individual a passagem da natureza à cultura. (BRANDÃO, 2006, p. 22).
A educação forma a personalidade do indivíduo médio e o prepara para viver a cultura, é pela educação que a gênese da cultura se opera no indivíduo. Pode-se descrever a cultura mostrando como o indivíduo a assimila e como nele se constitui, à medida que ele a vai assimilando. Isto porque a educação é, ao mesmo tempo, uma instituição que o indivíduo encontra e o meio que ele tem para encontrar todas as instituições (DUFRENNE apud BRANDÃO, 2006).
A formação do adulto é um processo de aquisição pessoal de saber, crença e hábito de uma cultura; essa passagem de cultura de um sujeito para outro é denominada hoje como educação, ou seja, a educação nada mais é do que um processo contínuo que busca a transmissão de conhecimentos, uma relação de troca e de saber entre as pessoas, que visa uma melhor integração individual e social.
A educação é um processo de produção de conhecimento e qualificações que juntas constroem tipos de sociedades, onde, a educação de uma certa sociedade tem identidade própria, pois ela está estruturada de acordo com a sua cultura.

A Sexualidade na Escola: Homossexualidade parte 4


1.3 Panorama Sócio-Histórico 
 
FOUCAULT (2005) faz uma análise da ciência do sexo (scientia sexualis), cujo objetivo era obter informações sobre esse aspecto do ser humano. Segundo o autor, a partir dos SEC. XVI e XVII houve uma proliferação dos discursos sobre o sexo, com o claro objetivo de se obter o controle sobre o mesmo. 
No Séc. XIX , torna-se um projeto cientifico, visando produzir verdades sobre o sexo, mas claramente comprometido com o evolucionismo e o racismo oficial. Através do discurso médico, protegido pela pretensa neutralidade cientifica, o sexo passa a ser relacionado a uma “moral de assepsia com interrelação entre o patológico e o pecaminoso, associado à biologia da reprodução” . À ciência, atribuiu-se a tarefa de produzir discursos verdadeiros sobre o sexo, e isto tentando ajustar, “o antigo procedimento da confissão às regras do discurso científico.” (pg. 66). No caso da confissão, os fiéis eram incentivados a contar suas práticas e desejos sexuais, mas com o objetivo de obter controle e poder sobre aquele que confessava, já que era o representante religioso que detinha o poder de condenar ou absolver o confessor. Aos poucos , a noção do sexo ligado a patologia e ao pecado, foi se  desvinculando do discurso religioso e “emigrou para a pedagogia, para as relações entre adultos e crianças, para as relações familiares, a medicina e a psiquiatria” (pg. 67).
A ciência sexual no ocidente difere da Arte erótica existente em países orientais, que busca saber sobre o prazer, não com o intuito de produzir verdades ou domínio sobre o mesmo, mas visando ampliá-lo.  Note que enquanto no ocidente a produção de verdades sobre o sexo tinha como objetivo principal a obtenção de domínio e  “ assujeitamento”, os orientais, buscavam o prazer que pode ser obtido do sexo. Por isso, para o autor, a homossexualidade é uma forma de romper com o discurso dominante, um ato de rebeldia e não submissão aos poderes estabelecidos e legitimados. Desta forma, a homossexualidade teria um caráter transformador, desafiando regras e convenções.

A Sexualidade na Escola: Homossexualidade parte 3


1.2 Hipóteses sobre a Homossexualidade 
 
Há muitas controvérsias sobre a gênese da homossexualidade, os grandes estudiosos almejam muito saber se é determinado geneticamente, se é resultado da educação ou do meio ambiente em que a pessoa é criada.
“Tudo na sexualidade está a serviço da sobrevivência dos indivíduos dos gens ou das espécies (da natureza). No humano, seguramente também. Ainda que, no humano, os caminhos da sobrevivência (no imaginário) atravessam estranhos percursos de morte e de inefabilidade. O homem é anjo e animal, digamos: não é estranho que sua sexualidade seja mistério. Desde os gens até a cultura, nos informam desses assuntos estranhos e misteriosos” (GRAÑA, 1998, p. 110).
O neurobiólogo Roges Goski (Universidade da Califórnia) fez alguns experimentos laboratoriais com hormônios masculinos (testosterona) em fêmeas e observou que desde as primeiras fases de suas vidas, esses animais tendiam para comportamentos mais masculinos (mais agressivas, além de uma maior atração por fêmeas).
O geneticista Dean Hamer (Instituto Nacional de Saúde dos EUA) garante que a  homossexualidade possui uma determinação genética, pois ele afirma ter descoberto genes em uma determinada região, apelidada por ele de GAY-1, associados à homossexualidade.  Porém, essa hipótese não possui muita credibilidade no meio científico americano. Esta é uma tese muito discutida, pois tira a homossexualidade no âmbito da escolha (e portanto opção do indivíduo e estilo de vida), trazendo-a como resultado de uma variação genética.
A  nova geração de psicólogos,  tende à valorização de relações extra-familiares, ou seja:
As relações interpessoais com vizinhos, colegas da escola e da rua, como fatores que mais pesam no desenvolvimento da personalidade, nesse sentido, meninos que se comportam segundo o estereótipo de menino (gostam de brincadeiras mais agressivas, se identificam com heróis, gostam de aventuras, ação, são menos obedientes e se encrencam na escola por má conduta mais que as meninas etc) se diferenciam delas que costumam ter um jeito mais suave e introspectivo. O "normal" nessa cultura é esperar que os meninos sintam-se atraídos pelas mulheres, mas não em ser como elas. Porém, sobram perguntas sem respostas satisfatórias. Como entender as pessoas que desde crianças sentem-se atraídas pelo estilo das meninas? Será que, só por essa tendência, fatalmente desenvolverão homossexualismo ou será apenas uma fase passageira? E as meninas que admiram mais as meninas, que são fascinadas por pessoas famosas, será que estão sendo atraídas a se tornarem homossexuais ou trata-se somente de simples admiração? (LIMA, 2001).
FERENCZI (1911;1992, p.117-130) diz que: “a criança, num certo estádio do seu desenvolvimento normal, manifesta sentimentos anfieróticos, quer dizer, ela pode transferir sua libido ao mesmo tempo para o homem (o pai) e para a mulher (a mãe)”.
Pode ser observado em diversas culturas do mundo que as pessoas podem ter atração pelo mesmo sexo e se distanciar do sexo oposto, ou seja, as amizades são mais fáceis de acontecer em grupos inteiramente masculinos ou inteiramente femininos do que em grupos mesclados.
Até o presente momento, os estudiosos no assunto, parecem concordar em um ponto: não há como determinar uma causa/ motivo para  Homossexualidade.

A Sexualidade na Escola: Homossexualidade parte 2


1.1 O Que é Homossexualidade? 
 
A sexualidade envolve o comportamento, ato sexual, noções de gênero (feminino e masculino), dentre outros. O ser humano moderno vive em uma sociedade que não possui o costume de enxergar o sexo como algo natural do ser vivo e de cada indivíduo em particular. Existe a ideologia de que “deve-se ser igual/normal”, sendo assim qualquer diferença é mantida em segredo, causando uma angustia ao individuo (PICAZIO, 1998).
É preciso entender o que de fato seria um problema em si e o que é designado como problema pela sociedade, uma vez que o desejo não causa dor, a problemática no caso seria a sociedade que não aceita seus diferentes membros, pois cada um tem sua combinação de sexualidade e buscam-se diferentes modos de relacionamento. O melhor caminho é a aceitação para se obter uma vida melhor em uma sociedade civilizada (PICAZIO, 1998).
As possibilidades são diversas e não é conveniente, em um tempo com preceitos tão liberais, julgar o que é certo ou errado. A sociedade contemporânea está passando por grandes transformações, onde, por exemplo, algumas questões consideradas anteriormente como eternas, hoje já se modificaram e continuam se modificando (PICAZIO, 1998).
Freud, grande estudioso dos processos subjetivos da mente e pai da psicanálise, no início do séc. XX apontou algumas possíveis causas da homossexualidade determinando, basicamente três fatores causais: a forte ligação com a mãe, a fixação na fase narcísica e o complexo de castração.
“No primeiro, o homossexualismo teria início devido a uma forte e incomum fixação com a mãe o que impediria essa pessoa de se ligar a outra mulher. O segundo fator, o narcisismo, faz com que a pessoa tenha menos trabalho em se ligar ao seu igual que em outro sexo. A estagnação na fase narcísica faria com que "o amor fosse para eles sempre condicionado por um orgão genital semelhante ao deles" (Ferenczi). O terceiro fator, aponta problemas relativos à travessia da castração, isto é, sofrimentos relativos as perdas e a idéia de morte que deixariam a pessoa acomodada ou acovardada na sua psicossexualidade” (LIMA, 2001).
Um esclarecimento importante a se ressaltar é a confusão de terminologias quanto a referencia ao homossexual. O termo Homossexualismo, que podia ser visto antigamente até mesmo em um manual importante para consultas de profissionais da área médica como o CID-9 (Código Internacional de Doenças), admitia que o indivíduo homossexual possuía um transtorno mental e, portanto, era “doente”. O sufixo “ismo” da palavra traz um significado “patológico/doença”. O “Homossexualismo” estava incluído dentro do capítulo V: Transtornos Mentais, com o código 302.0, mas nos últimos anos, com a explosão de grupos denominados “gays” crescendo não apenas no Brasil como no mundo, houve a necessidade de não somente adequar o manual, como em suas revisões, modificar a forma que o assunto era abordado.
Freud cita acima o termo “homossexualismo”, muito provavelmente por ter como formação a medicina, e em sua época esta nomenclatura e ideologia patológica fosse a aceita em termos de comunidade médica.
É preciso lembrar, por outro lado, que o CID não é somente uma classificação de doenças, lesões e causas de morte, em suas últimas revisões, passou a ser utilizado como instrumento para codificar motivos de consultas em serviços de atendimento médico, passando  então a incluir várias entidades que não são doenças, lesões ou causas de morte (LAURENTI, 1984).
A partir de tantas discussões causais, com constantes questionamentos se “é doença?”, e com o imenso crescimento de grupos de homossexuais lutando por suas identidades nas mais diversas culturas, convencionou-se então a utilização do termo “Homossexualidade” como referência ao indivíduo que possui maior afinidade psicofísicosexual por membros do mesmo sexo.
Atualmente, dentro do CID-10 , continua existindo um código para homossexualismo (F66.x1) por se tratar de um instrumento estatístico para classificar causas de morte, diagnósticos de internação hospitalar e motivos de consulta mesmo que contra isso continuem os movimentos, pressões e apoios. Este código apenas deixaria de existir quando não houvesse mais, em absolutamente nenhum lugar do mundo consultas motivadas pelo fato de ser homossexual. Da mesma maneira que o heterossexualismo agora existe no CID e será discutido quando trouxer a um indivíduo algum desconforto ou, principalmente, discriminação, o que o levará a procurar, sob diversos pretextos, um médico para orientá-lo. (LAURENTI, 1984). Vamos aguardar o CID-11 em 2014 e observar como as mudanças culturais e temporais da sociedade influenciam estes códigos e suas nomenclaturas.
Os indivíduos ainda hoje têm grandes duvidas sobre como a homossexualidade “surge”, se seria possível evitá-la ou não, se seria um desvio ou algo natural, se é algo que se passa de pessoa para pessoa. A resistência em entender a homossexualidade pode se dar pelo fato de se acreditar erroneamente que “é um desejo adquirido ou aprendido” e não apenas algo natural como a heterossexualidade, onde se sente um desejo como qualquer outra pessoa (PICAZIO, 1998).
Uma grande problemática psicológica que um adolescente ou adulto pode ter, é a constatação de ser homossexual, pois não é fácil para o indivíduo ter um desejo que não é respeitado pelos demais e um desejo que é ainda muito perseguido pela sociedade, passando por uma batalha pelo preconceito, engajando-se na luta por seus direitos. Com tantos problemas, preconceitos e julgamentos, se a homossexualidade fosse uma opção, quem a escolheria?
Ainda que se tente disfarçar a condição homossexual e os sentimentos deste indivíduo em relação aos amigos, parentes, etc não é algo fácil mentir para os outros e principalmente para si. E com isso, esses sentimentos vão causando ao individuo um sentimento de culpa, de anormalidade e assim, acabam ficando entre o viver e o medo de ser rejeitado. Porém, em muitos casos o individuo consegue desabafar e tirar esse “peso de suas costas”, dizendo tudo o que sente para família, amigos, e parentes num geral, acabando com aquele incomodo de mentir para todos em sua volta, podendo então buscar sua felicidade sem medo e ser amado por quem se é, não importando sua orientação sexual (PICAZIO, 1998).

A Sexualidade na Escola: Homossexualidade : parte 1




1. Introdução 
 
O tema Homossexualidade, mesmo tão presente na contemporaneidade, ainda é um assunto de grande repercussão, geralmente considerado como “tabu”, principalmente quando abordado dentro de uma família tradicional, como exemplo, um programa humorístico da televisão brasileira que retrata a culpabilidade de um pai ao ver seu filho “desmunhecar” frente a situações sociais com o bordão: “Mas, onde foi que eu errei?!!”, demonstrando claramente essa escandalização da temática.
Relacionar-se com um parceiro do mesmo sexo é uma ocorrência relativamente comum no mundo através dos tempos, porém, ainda com a presença de indivíduos homossexuais e bissexuais na história da humanidade o tema continua trazendo muitas controvérsias na modernidade e contraditoriamente em uma sociedade que se nomeia tão “liberal”, colidindo com dogmas morais e religiosos, influenciados por ignorância e contrastando com intuitos políticos.
A discussão acerca da homossexualidade dentro de comunidades de estudiosos ainda é muito acirrada, pelo fato da ciência ainda não ser suficientemente capaz de determinar sua causalidade. “Seria a homossexualidade predominantemente um fator de cunho ambiental?”; “Seria ela, puramente genética, sendo assim, onde está o tal `x colorido´?” ; “Ou talvez, um conjunto de fatores, misturando o meio, a biologia e a cultura, formando uma multicausalidade?”  Bem, estas respostas são o que milhares de estudiosos das mais diversas linhas da psiquiatria, psicologia, biologia, medicina geral, neurociências, sociologia e antropologia desejam poder responder um dia. Até então é muito dito que se trata de um aspecto da condição humana que acarreta profundos efeitos sobre a vida de um sujeito e da comunidade em si.

PROSTITUIR


A palavra “prostituir” vem do verbo latino prostituere, que significa expor publicamente, por á venda, entregar a devassidão, dela se deriva “prostituta”
Maria madalena conhecida como pecadora arrependida.

Dia 22 de Julho ficou conhecido com de maria madalena.

energia amorosa da gruta, chamada Sainte-Baume, na França . “Seja pela fé dos peregrinos que passaram por ali durante 20 séculos ou porque Maria Madalena realmente meditou e orou naquele lugar, o fato é que ali há toda uma atmosfera de amor e recolhimento que preenche o coração”

energia amorosa da gruta, chamada Sainte-Baume. “Seja pela fé dos peregrinos que passaram por ali durante 20 séculos ou porque Maria Madalena realmente meditou e orou naquele lugar, o fato é que ali há toda uma atmosfera de amor e recolhimento que preenche o coração”

mortalizada pela Igreja como prostituta arrependida, Maria de Magdala protagonizou uma das passagens bíblicas mais conhecidas da história. No episódio do apedrejamento da mulher adúltera, Jesus Cristo, indagado por escribas e fariseus, viu-se obrigado a proferir um julgamento imediato, e a todos surpreendeu
com a sentença: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire a pedra”
.
Todavia, a análise da histórialeva à conclusão de que a religião não foi eficaz na intenção de extirpar da humanidade a prostituição, sempre considerada um mal – pecado.

Do ponto de vista religioso, a existência da prostituição é, portanto, admitida; o fenômeno tem explicação; mas a posição a ser adotada pela sociedade é a de uma convivência velada, pela qual a prostituta deve permanecer necessariamente na marginalização

afirma que uma situação econômica precária, marcada pela difícil colocação no mercado de trabalho, porbaixos rendimentos e muitas vezes pela condição de arrimo e chefe de família, é uma forte justificativa para o fato de a mulher se dedicar à prostituição.

De acordo com a Fundação Mineira de Educação e Cultura (FUMEC, 2001) estima que exista 1,1 milhão de mulheres prostituídas no país. Acredita-se que esse número esteja abaixo da realidade, já que é muito difícil ter dados quantitativos quando se trata de uma questão que envolve preconceito, falsa moral e pecado.
Essa história gerou até um filme com o nome de Maria Madalena, onde relata em detalhes como ela chegou a essa vida e como consegui sair dessa vida.

Prostituta com papel de destaque na história de Cristo foi, inclusive canonizada pela igreja católica, Maria Madalena poderia ter se tornado um símbolo na luta pela aceitação da atividade. Mas o que ocorreu foi o contrário: como personificou o estereótipo de "prostituta arrependida", acabou por disseminar uma imagem negativa sobre a prostituição, ao reforçar a ideia de que é preciso abandonar a atividade para redimir-se dos pecados e ser perdoada por Deus. Mais existe um fato curioso, nenhuma passagem na Bíblia afirma que Maria Madalena foi prostituta

Portanto a prostituição é um ato pecaminoso que afasta da presença de Deus, porém o indivíduo que deseja se libertar de tal escravidão basta pedir ajuda a Ele para seguir um modo de vida diferente.
Vivemos em uma sociedade onde os valores morais e as bases doutrinárias cristã estão cada vez mais distorcidas, os meios de comunicação em massa estão incutindo na mente das pessoas visões que são totalmente contra a genuína vontade de Deus.

A mulher e um homem primitivo.





Por Abilio Machado.

Essa mulher que me deixa louco, cabelo encaracolado, que se veste de maneira simples, que cheira a uma loucura tão boa que me causa mil desejos, uma doce mulher, por vezes submissa, poderosa, violenta, boca suja e que chora. Tem vezes que me olha pedinte e em outras as faíscas que lampejam de seus olhos me invadem, me rasgam por inteiro, arrancam minha veste assim do nada num pequeno instante e tem o dom de me negar em muitas noites o aconchego.
Eu que ainda me procuro, que me insisto, me deixo ser um doce homem vestido de nada, cabelo escroto, de sobrepeso e ainda deixado por aqui na terra, nas dores de uma isquemia cardíaca, e quando me enrosco, me encosto e recebo de tuas mãos a leveza do céu, me tocando o corpo com a mão de algodão doce, eu neste corpo de homem das cavernas, recoberto de pelos que apareceram com os anos, dizem que de amadurecimento e eu acho que é de retrocedência ao meu lado primitivo, animal, preguiçoso e insano, pérfido eu.
Um doce homem das cavernas que odeia lavar a louça, mas adora te apanhar no colo e lamber suas costas, de agarrá-la por inteira e ouvir o coração. Um bruto e delicado ser dos antigos tempos, sem trejeitos e que adora servir aos teus caprichos que lhe fazem mulher. Entregando-se ao teu perfume, à tua maneira meio obscena de falar durante o ato, provocando os espamos na hora intransponível que transgredimos os atos eu ali de sólido caule a tomar sua flor.
Este punhado de lembranças me acolhem os minutos quando relembro das nossas loucuras de sob a água morna embebedávamos os sentidos como se estivéssemos cobertos pelo véu de uma cascata, o banho, o cheiro, o sabonete, as invasões, os gemidos e o gozo.
E há vezes que me deixa assim palavra abstrata e quase nula, perdido no campo de batalha de cajado na mão a se perder em apenas lembranças, e visualizo você, ali, nua, a me botar de bruços sob teu jugo como se em instantes perfeitos nossos corpos se invertessem e nos teus sussurros me falassem em língua antiga que me venceu mais uma vez, eu ali recebendo de tuas mãos a tortura, em delírios provocados pela tua língua, numa guerra indígena de corpos nus.
Em meu corpo a batalha, apelos, devaneios e pelos. Uma subtração que parece me fazer um favor, um fervor da mais insana reza... Uma reza de tomada, que vem, sem pressa e me refaça das agruras do dia, me desgasta a cada medo da ausência, me amassa entre seu corpo e o lençol e me domine, como nunca antes feito, vem, e me faça da planta, muda, e em seus braços, seu!