segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

METAMORFOSE CRIACIONÁRIA




Por Abilio Machado

Ao me criar em nova forma
Me proponho em completo abandono
Nos quartos estranhos: _Medonhos!
Lugares santos
Cantos profanos
Nos corpos gastos
Sofredores e sós…
Alimento prolífero e vil!
Um asco emfim
Arrebata a extensão de minha pele: __Assim!
Sobre a morte prematura
De fruta passada
Mais que Madura
D’um vivente, sobrevinte da seca
Sem colher, sem garfo ou dentes
Um infeliz indigente: __ Só criatura!
A Madeira apodrecida
Vermes rastejantes
Nada vai ser como antes…

Ao ser criado em nova forma
Há novo reflexo
Me vejo: __Eu !
Fico perplexo
A crescer sobre a comida, servida.
A dias posta à mesa
Não há carne nem legumes
E tampouco me interessam…
Os grãos pegos com as mãos!
Tenho ali um saco que aloja aquele par de coisas
Sob a haste, vergalhão,
Pequena manifestação que se desdobra
Voluptoso e insatisfeito
Faz arfar o peito…
Que recebe o sangue em seus leitos cavernosos
E rígido. Pulsa .
A querer outra forma
Para borrifar jatos opacos
Cansado de brincar
Se consola adormecido e encolhido
Um ninho de fios de ralos cabelos
Enrolados, um travesseiro a 27 graus.

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