quarta-feira, 26 de março de 2014

Anatomia de certas mulheres explicaria o orgasmo vaginal


Anatomia de certas mulheres explicaria o orgasmo vaginal

Cientistas italianos afirmam ter realizado, pela primeira vez, ultra-sonografias que comprovam a existência do ponto G – uma área que, quando estimulada, pode proporcionar às mulheres orgasmos intensos. A terminologia “Ponto G”, dada em homenagem a Ernest Gräfenberg em 1950, refere-se a uma área poucos centímetors acima da saída da vagina, no lado mais próximo ao estômago. Embutida nessa zona estão as glândulas de Skene, o equivalente (em princípio) nas mulheres à próstata.
Nos homens, a próstata produz o líquido seminal (só o líquido). Nas mulheres, as glândulas de Skene produzem uma substância igualmente aquosa que pode explicar a ejaculação feminina. O tecido que cerca essas glândulas, que inclui parte do clitóris e que chega ao interior da vagina, inunda-se de sangue durante o ato sexual. Claro que isso é uma evidência que o tecido nervoso de alguma região aí localizada  produz um orgasmo diferente daquele produzido pelo estímulo clitoriano.[1]
A notícia não é nova, e é matéria de estudos do grupo de italianos há bastante tempo[1]. No estudo, publicado na revista Journal of Sexual Medicine, o cientista Emmanuele Jannini, da Universidade de Aquila, Itália, afirma que, até agora, havia poucas evidências de certezas sobre a existência do ponto G, que ficaria localizado entre a vagina e a uretra.
Segundo o ginecologista, os exames inéditos revelaram claras diferenças anatômicas entre mulheres que disseram ter atingido orgasmo vaginal e outras que não vivenciaram a experiência. Este tipo de orgasmo é atingido pelo estímulo da parede vaginal, sem a fricção simultânea do clitóris.
Os especialistas realizaram varreduras de ultra-som e, as que tinham orgasmos, acusaram um claro espessamento do tecido uretrovaginal, que seria associado ao orgasmo vaginal.

Incapacidade de orgasmo

Segundo o Dr. Jannini, algumas mulheres têm um ponto G e outras não. “Será possível determinar, de uma maneira rápida, simples e barata, numa ultra-sonografia, se uma mulher tem ou não um ponto G”,
Jannini conduziu o estudo, baseado em ultra-sonografias, para estudar o tecido entre a vagina e a uretra. Das 20 mulheres que participaram do estudo, nove afirmaram ter orgasmos vaginais e 11 afirmaram não tê-los. Das 9 que tinham o orgasmo vaginal, foi  observado que tinham o tecido mais espesso. “A conclusão provável é que há mulheres que têm e outras que não têm o ponto G”, afirmou Jannini à revista Época. Nessa entrevista ainda acrescentou, “Não tê-lo não impede a mulher de ter orgasmos. É uma diferença anatômica como ter olhos castanhos ou verdes, e não um problema de saúde.”
O médico já havia encontrado anteriormente pontos relacionados ao aumento da função sexual na área entre a vagina e a uretra. Esses locais liberariam a PDE5, uma enzima que, nos homens, processa óxido nítrico (associado à ereção). Vale acrescentar que os remédios para impotência inibem a ação da PDE5, melhorando assim o fluxo de sangue para o pênis.
No entanto, a equipe não havia conseguido ligar a presença desses pontos ao orgasmo vaginal.

Polêmica

O estudo gerou controvérsias. Alguns especialistas desafiam a teoria de que mulheres que não atingiram orgasmo vaginal não têm o ponto G.
O estudo é intrigante, mas não significa necessariamente que mulheres que não têm orgasmo não têm o ponto G”, diz a Dra. Beverly Whipple, da Universidade de Rutger, de Nova Jersey – que, junto com uma equipe de médicos, cunhou o termo ponto G em 1981.
Os estudos dos americanos sugeriu que alguma espécie de sensibilidade é acontece na área onde o ponto G estaria localizado. Em princípio, as diferenças anatômicas estariam relacionadas a quanto a área seria exercitada, o que explicaria o seu espessamento.
Futuros exames poderiam revelar que todas as mulheres têm o ponto G”, diz a pesquisadora.
Para o Dr. Fábio Lopes Teixeira Filho, da UNIFESP, o estudo do grupo italiano está longe de encerrar o tema já que  “O grupo de mulheres estudado foi muito pequeno” e que estudos mais sofisticados, como a ressonância magnética e a tomografia, devam ser feitos. Em entrevista à Época afirmou que “Parâmetros anatômicos não são o mais importante para determinar a ocorrência do orgasmo vaginal”, diz Teixeira Filho. Variações de tamanho do clitóris, por exemplo, não parecem ter influência na ocorrência ou na intensidade do orgasmo, analogamente ao que ocorreria com o homem em relação ao tamanho da glande. “Fatores como o estresse e o relacionamento do casal costumam ser mais importantes.”

Fontes:


[1] “Bigger is better when it comes to the G spot”, New Scientist, Julho de 2002
BBC Brasil 20 de fevereiro, 2008 – 21h01 GMT (19h01 Brasília)
“Acharam o Ponto G”, por Letícia Sorg, Revista Época (23/02/2008), No. 510

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