terça-feira, 21 de abril de 2015

A relação física e emocional entre homens e seus pênis

O documentário : 'Dick: The Documentary'  (NSFW)


Em agosto de 2008, o cineasta Brian Fender publicou um anúncio no Craigslist (site de anúncios de toda ordem) pedindo por voluntários para seu projeto de documentário. Quem respondeu ao anúncio recebeu um convite inusitado de Fender: ficar nu e revelar, por meio de histórias reais, sua relação física e emocional com o pênis.
Nascia ali "Dick: The Documentary", um longa de não-ficção que explora o universo que une um homem a seu pênis. Os 63 personagens mostrados no filme são anônimos e variam de monges a transexuais, com idades entre 21 e 80 anos. Para saber mais sobre a obra, o Huffington Post entrevistou Fender.
The Huffington Post: Onde você estava quando teve a ideia de fazer o filme?
Brian Fender: Eu estava numa conferência de cineastas independentes acompanhando um simpósio sobre maneiras inovadoras de levantar dinheiro para um filme. Eu tinha acabado de fazer o documentário acidental “XYQ”, que começou como uma instalação em vídeo em uma apresentação da juventude LGBT em St. Louis. Eu havia produzido por conta própria dois DVDs e tinha 950 cópias em um armário no meu apartamento em Upper West Side. Estava pensando que, para ser um filme comercialmente viável, ele teria de falar sobre sexo. Eu sou gay e obviamente tinha curiosidade sobre como os homens são afetados por seus paus. Eu certamente fui afetado pelos paus de outros homens.
Como encontrar personagens por meio do Craiglist afetou o resultado do filme?
Tentamos outras formas de conseguir personagens, mas o Craigslist foi o único que deu certo. Eu teria preferido uma seleção mais ampla de participantes, mas o que consegui foi uma amostra de homens educados que acreditaram no projeto e queriam fazer parte dele. Consegui apenas um cara esquisitão, que vestia uma máscara do Cavaleiro Solitário [famoso cowboy mascarado que nasceu num programa de rádio nos anos 1930 e que pode ser considerado o protótipo do Zorro]. Mesmo tendo encontrado com ele para um café, para explicar minhas intenções em relação ao filme, ele ainda imaginou que eu queria pegá-lo.
Qual foi a coisa mais surpreendente que você aprendeu ao fazer o filme?
Descobri que os homens que participaram são muito atenciosos. Eu não consegui nenhum carrasco machistão, o que me desapontou um pouco. Acredito que homens mais conservadores e que julgam expressões sexuais diferentes do paradigma heterossexual — e que provavelmente chamariam esses homens de pervertidos — teriam atitudes sexuais menos saudáveis e se sentiriam ameaçados pelas perguntas feitas no filme. Mas por mais que meus personagens fossem educados, muitos deles me disseram que aquela era a primeira vez que falavam coisas como aquelas e que aquilo era catártico. Eu queria também falar sobre usar o pau como uma arma, mas tive a sensação de que aqueles homens não eram agressivos em termos sexuais. Uma coisa que é engraçada é que não há um consenso sobre a pau. As opiniões são tão variadas quanto os próprios pênis.
Embora o falo seja soberano, ver um pênis é ainda um tabu em muitos aspectos. Por quê?
O motivo para que o falo seja um tabu entre os homens é a homofobia. Se eu olhar o pênis de outro homem eu sou gay? E se eu ficar excitado? Para as mulheres, o pênis é o que pode transformá-las em "putas". Se elas admitem que amam pênis e olham para pênis, o que isso diz a respeito delas? Nós somos severamente condicionados a sequer considerar o pênis, a não ser em um contexto de humor ou pornográfico. A verdade é: muitas pessoas amam paus. Muitos homens amam seus próprios pênis, muitas mulheres os amam, e homens gays são obcecados por eles. É por isso que eu quis confrontar o público com todos esses pênis e um formato inócuo. Depois de cinco minutos, isso se torna algo que não é mais ameaçador. Acho que, em algum nível, a maioria das pessoas acredita que o corpo humano é motivo de vergonha.
O que você quer que seus espectadores aprendam com o filme?
Espero que ele abra um diálogo sobre sexualidade de forma geral. Minha esperança é que as pessoas comecem a conversar com seus filhos sobre sexualidade enquanto eles ainda são jovens: deixá-los entender que o sexo é um presente que eles devem apreciar e cuidar e que, quando querem atuar de maneira sexual, devem ser responsáveis por isso. Mas isso é racional demais para a maioria das pessoas religiosas — elas distorcerão a mente do garoto por meio de culpa e vergonha, e criarão um homem sexualmente imaturo que abusa de mulheres e crianças porque não sabe como expressar a sexualidade de maneira apropriada. O abuso sexual é uma epidemia e temos de fazer algo diferente.

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