quinta-feira, 16 de julho de 2015

Não vou ter medo e nem vou abrir os olhos...



Desde muito cedo, sempre a remoer o medo
Sempre a remoer o medo...
O corpo parece gritar.
Uma necessidade de fugir deste lugar
As paredes parecem pequenas
As cores me assustam mais que o cheiro das flores
Lhe vi no corredor, parado,
Segurando sua bengala, meio ancorado
O sorriso que enfeitiça a mostrar os dentes brancos
Apesar de todo cigarro que consomes
Junto de teu vinho...
Tua casaca me faz lembrar os meus delírios noturnos
De vampiros e viver as manhãs e nem mais vê-las...
Ao pensar nisso me acordo e...
Está de pijama, xadrez, a esticar-me a mão:
__Você vem?!
Algo me diz:
__Não tenhas medo.
__Fecha os olhos.
E eu assim fiz...
Breves segundos...
Quando os abri, só via teus olhos próximos
Seus lábios sobre os meus
Sua pele acordada a encostar-se a mim...
Será, penso eu que lembras?
De como foi para mim...
Um toque sem igual a me puxar pelo semi escuro para o quarto
E ali derradeiro a me livrar das roupas...
E naquele tremor antecedente
Meio adolescente
Falei com coragem a mim sussurrando:
__Não vou ter medo nem vou abrir os olhos,
Se eu acordo e não te encontro:
__ Sei que esmoreço!

Nenhum comentário:

Postar um comentário