terça-feira, 11 de abril de 2017

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho:Crítica.


Eu tenho uma característica que eu gosto muito em mim: não sou de criar expectativas. Sou um CARA de sorte, pois geralmente as coisas que não crio expectativas sempre acabo me surpreendendo pra melhor e hoje foi uma delas.

     Sou viciado em filmes e seriados, mas ando sem tempo para atualizar meu lado cinéfilo. Mas hoje consegui dar um jeito e assisti ao filme Hoje Eu Quero Voltar Sozinho. Meu, valeu muito a pena pois que filmaço. Quando começou pensei que seria mais um filme teen com temática gay mas não precisou de muitos minutos para eu mudar de opinião e com certeza esse entrar na minha Top List.

     Se trata da história do adolescente Léo que é cego mas procura ter a vida mais "normal" possível (mesmo com a mãe super protetora) ao lado da sua amiga Giovana. Ambos são meio que os nerds da escola. E a vida dos dois mudam com a chegada do novo aluno Gabriel. As meninas se apaixonam por Gabriel e até Giovana tem uma quedinha por ele. Com o tempo Gabriel vai se tornando grande amigo da dupla e acaba roubando o coração do Léo.

     Mas a grande graça do filme é a sutileza. Diferente dos outros filmes gays onde os homossexuais sofrem, não se aceitam e fazem aquele drama, esse filme tem uma leveza que da gosto assistir. Não é um filme de rótulos tipo "eu sou gay, você é gay, nós somos gays". Em nenhum momento Léo e Gabriel se torturam por serem assim ou escondem das pessoas Eles tem sim inseguranças do primeiro amor (como todo mundo tem independente da sexualidade). Também é um filme que mostra da superação e dificuldades de ser deficiente visual, o lance de gostar do mesmo sexo é abordado em segundo, terceiro, quarto plano...

     Os atores foram muito bem escolhidos, são pessoas normais que a gente poderia encontrar por ai, não aquela coisa glamurosa e fake tipo rede Globo ou Hollywood. O ator Guilherme Lobo interpretou com uma perfeição tão grande um personagem cego que pensei que ele realmente tivesse essa deficiência.

     Além de excelentes atores eu acrescentaria o termo gostosos. São dois garotos com corpos deliciosos, principalmente o Léo. A cena em que os dois estão tomando banho e mostra a bunda do Léo é de estremecer as pernas, bunda peluda e deliciosa.

     Mas deixando a sacanagem de lado, super recomendo para quem não viu essa obra de arte ir assistir. Você verá perfeitas atuações, fatos que fazem a gente refletir e o mais bacana de tudo: não fazer drama em coisas que simplesmente são. Ser gay não é bom nem ruim, ser gay simplesmente é. Igual ser hetero, bi ou qualquer outro rótulo. Mas mais do que isso, o filme fala sobre amor, na minha opinião um amor utópico, mas às vezes é bom se deliciar nesses momentos de devaneio. O filme foi indicado ao Oscar. Nunca assisti ao Oscar mas no próximo estarei ligado e torcendo por ela obra de arte.



1 - AMIZADE
ter um amigo é fundamental, alguém que goste de você como você é, com suas qualidades e principalmente com seus defeitos. Um amigo a gente não precisa omitir alguns detalhes da nossa vida para parecermos ser mais legal, um amigo nos conhece 100%. E isso podemos ver na amizade do Léo com a Giovana, linda a cena do Léo deitado e ela afagando os cabelos dele. Faz quatro meses que perdi meu melhor amigo, às vezes lembro dele e me pego com os olhos marejados. Sinto uma falta absurda, quando vejo alguma coisa louca eu já ligava pra ele ou ele me ligava para darmos risada ou lamentarmos juntos, hoje já não tenho alguém com essa intimidade pra isso. Enfim, amizade, amigos temos vários, mas Amigo com A maiúsculo que confiamos 100% é pouco, por isso quem tem valorize.


2 - NÃO AOS RÓTULOS
em nenhum momento Léo se sente angustiado por sentir atração pelo amigo, em nenhum momento sua melhor amiga Geovana questiona a homossexualidade de Léo (ela sente ciumes de amiga, mas não se choca por ele estar apaixonado por um menino ao invés de por uma menina). Na conversa que Léo tem com sua mãe sobre ter filhos e ele diz que adotaria pois no mundo tem muita criança mostra sutilmente que Léo não quer ter uma mulher no futuro e sua mãe não se choca com isso. O filme usa com grande maestria a sutileza, mostrando que Léo se apaixonou e ponto final. Se foi por homem ou mulher é indiferente, nada de rótulos.


3 - NÃO SE SENTIR INFERIOR
Por mais que tenha uma mãe super protetora e que seja cercado de cuidados, Léo procura não se fazer de vítima. Vai a acampamento, quer fazer intercâmbio, aceita os convite de Gabriel para fazer coisas que não fazia por falta de oportunidade como ir ao cinema, "ver" o eclpse da lua e andar de bicicleta.

4 - TER ATITUDE
Tem gente que sonha mil coisas mas não faz nada para realizá-los. Léo quer fazer intercâmbio e corre atrás, mesmo sua mãe sendo contra e até a consultora de viagens. Ele corre atrás, procura alternativas e as acha.
5 - BOM SENSO
Mesmo a mãe de Léo sendo neurótica com cuidados excessivo com o filho (na melhor das boas intenções), em contra partida tem o pai dele que é mais sensato e mesmo sabendo das limitações do filho da um jeito de apoiá-lo e encontrar alternativas ao invés de sempre dizer 'não' logo de cara. Bela a cena em que Léo faz barba ao lado do pai que o faz refletir sobre o verdadeiro motivo de querer fazer intercâmbio.

6 - FORMA DIFERENTE DE SE APAIXONAR
Não tenho contato com pessoas cegas, talvez essa forma diferente de se apaixonar seja comum entre eles. Mas achei bárbaro a forma que o personagem do Léo vai se envolvendo com Gabriel. Quem não é cego o que chama atenção no primeiro instante é o sentido da visão, você vê como é a pessoa que você se interessa, o cabelo, o sorriso, o tipo físico. Mesmo que vc não se apaixone esse é o primeiro contato para nós que enxergamos. Pro personagem do filme não. O amor meio que nasceu de dentro pra fora, quando para nós nasce de fora pra dentro (vemos a pessoa, nos interessamos, sentimos atraído, vemos que temos afinidade e assim a coisa rola...). Ah, detalhe para a cena que Léo está sozinho, tira a roupa, coloca o agasalho de Gabrel, cheira a blusa do amigo e subentende-se que se masturba. Para quem enxerga e se masturba faz isso com imagens da pessoa, já Léo que nunca viu o rosto de Gabriel o que faz ele se excitar pelo amigo naquele momento é o cheiro e a lembrança da voz.

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